A ALEGRIA PODE DURAR POUCO

A ALEGRIA PODE DURAR POUCO

Os políticos de antigamente que se destacavam e se tornavam estadistas nada mais eram do que homens com sensibilidade para a interpretação dos fatos. Enxergavam um pouco mais longe do que seus contemporâneos. E, por isso, muitos amargaram derrotas em função da imprevisibilidade, a curto prazo, do que se passa na cabeça do povo.

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A ALEGRIA PODE DURAR POUCO

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

        

     Os políticos de antigamente que se destacavam e se tornavam estadistas nada mais eram do que homens com sensibilidade para a interpretação dos fatos. Enxergavam um pouco mais longe do que seus contemporâneos. E, por isso, muitos amargaram derrotas em função da imprevisibilidade, a curto prazo, do que se passa na cabeça do povo.

   Assim foi com Churchill, que anteviu a desgraça da guerra, quando os ingleses  aplaudiam o Chanceler Neville Chamberlin. Este, com sua fraqueza, estimulou Hitler as loucuras que veio a cometer em 39, apanhando Inglaterra e França despreparadas para o conflito. E, depois de vitorioso e de ter sido consagrado internacionalmente como a grande cabeça entre os líderes aliados,  Churchill perdeu as eleições, em caso  incompreensível até hoje.

   Ora, o Brasil vive um momento de euforia e otimismo,  em comportamento perigoso por falta de humildade e sobra de arrogância. Estamos melhorando, mas menos do que nossos competidores mais próximos, como China e Índia e até a Rússia, que, finalmente, lançou um projeto tipo “choque de gestão” recentemente. Estamos perdendo em respeitabilidade política e na avaliação como democracia na medida em que nossa política externa está cada vez mais afinada com lideranças exóticas e condenadas pelo mundo culto, como os casos da Venezuela e do Irã. Insistimos em julgar a legitimidade do Judiciário de Honduras , do Congresso e agora do povo daquele país, para apoiar um presidente que quis dar um golpe.

  No campo interno, as reformas adiadas criam um limite ao crescimento da Nação. Perdemos em atrativos em função de uma legislação imprevisível em setores fundamentais, como o tributário, ambiental e o trabalhista. Só temos a oferecer um mercado interno que cresce e se torna atrativo. Mas, com a infra-estrutura sofrendo a falta de investimentos e a complexidade legal, podemos perder espaços.

   A situação tende a se agravar no continente em termos políticos. A eleição no Uruguai terá desdobramentos. A escalada totalitária na Venezuela é impossível de ser justificada.  Vamos ter conflitos e não podemos ficar no lado errado, por meros motivos ideológicos.

   Caso o Brasil não entregue o criminoso italiano, que o STF já liberou para extradição, vamos ficar mal. E não apenas com a Itália, mas com toda a União Europeia, cujo parlamento é majoritariamente conservador. 

   A economia vai relativamente bem, mas com problemas que são conhecidos, a começar pelos gastos  públicos. Por outro lado, no entanto, estamos perdendo terreno no conceito político e extrapolando em verdadeiro deslumbramento com o reconhecimento internacional, que é um fato.

  O governo ainda abusa da popularidade que possui e da  oposição, que caminha para uma candidatura inviável. Com um candidato de alta taxa de rejeição nos meios políticos e na própria população de importantes pólos eleitorais.

  Nesse jogo, só o Brasil sai perdendo, mais uma vez. E, sem autoridade e determinação, corremos o risco do fracasso na Copa e nas Olimpíadas. Tudo pode virar sonho. A história mostra que os anos dourados de JK não resistiram as irresponsabilidades do período Jânio-Jango. Os avanços dos militares nas grandes obras acabaram superadas pelo crescimento do mundo como um todo e pela parada ocorrida no Brasil, em termos de infraestrutura de transportes e de energia por exemplo. A  festa pode acabar.


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