A vida pública exige vocação, desprendimento e muita obstinação. Muitos dos que chegaram a altos cargos o fizeram depois de tentativas frustradas. A começar pelo nosso presidente Lula, candidato em 89, 94, 98 e 2002, quando, finalmente, se elegeu.
Na sucessão do próximo ano dois nomes falados já amargaram decepções em tentativas anteriores. O governador de São Paulo, José Serra, derrotado em 2002 (antes havia perdido para a prefeitura) e o deputado Ciro Gomes. Em São Paulo mesmo, políticos como Adhemar de Barros e Jânio Quadros alternaram vitórias com derrotas. Em Minas Gerais, Tancredo Neves só se elegeu na segunda tentativa e o senador Helio Costa, hoje bem cotado, já disputou por duas vezes e perdeu, apesar de bem votado.
Essa história de pesquisas precisa ser conhecida melhor. A turma que gosta de política fica agarrada a este fenômeno, que só chega a ser uma fotografia real nos derradeiros dias de uma campanha eleitoral. Caso mais conhecido ocorreu em 1990, quando, em Minas, o então prefeito de Belo Horizonte, Pimenta da Veiga, era o franco favorito segundo as pesquisas. Acreditou que a situação era definitiva, largou a Prefeitura e, na disputa, não conseguiu chegar ao segundo turno. Levou um susto tão grande que nem se candidatou mais. No Paraná, José Richa chegou a mandar fazer o terno da posse e perdeu. Em São Paulo, o vaidoso Mário Covas acabou sem ir ao segundo turno, só se elegendo depois, na esteira da vitória de seu correligionário Fernando Henrique Cardoso.
Eleição é um fenômeno imprevisível, apesar de se contar com fortes apoios, lideranças, recursos, máquinas partidárias, tempo na TV, enfim, com tudo o que na teoria elege. E assim, sem dinheiro, sem tempo na TV, sem partido, Fernando Color se elegeu presidente em 89 e Itamar Franco, governador de Minas e, hoje, é nome cotadísssimo para o que desejar.
O momento que antecede eleições deve ser de humildade, de avaliações realistas e jamais de presunção. Tem muita gente trabalhando em silêncio, prestando serviços às comunidades, construindo credibilidade. O próximo pleito encontrará um eleitor mais exigente e mais atento.
Renovação haverá, mas os experientes, corretos, dedicados não sairão. Os novos, que revelarem sinceridade, terão chances e os jovens que estiverem bem serão confirmados.
O discurso bonito e a apelação para temas emocionais ou corporativos devem ser arquivados. A democracia exige mais. O povo pode votar num nome mais discreto, mas em quem sinta confiança, competência e segurança para comandar uma máquina, como é um governo estadual e a Presidência da República.
Asssim como os políticos que “se acham” como se diz na gíria popular, são arrogantes e dificilmente podem superar a rejeição.
Vamos para as eleições, mas os insistentes levam chances. Especialmente os que insistiram em administrar bem, em governarem para todos e não para alguns. Além dos jovens que não se deslumbraram com o poder e os veteranos que podem apresentar uma boa folha de serviços. E, como é de nossa tradição (e isso é positivo, sim), teremos muita gente nova, que vem suceder a pais, tios e até avós, que serviram bem na política. Por isso, desde cedo, ensinaram aos mais novos que servir ao povo é atitude nobre, e não interesseira. O resto é pau nos aproveitadores!!!
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