Quem não estiver na folia nestes dias, certamente estará pensando na vida e no país. Logo, quem trata de política e de economia como nós, eu daqui e vocês daí, deve aproveitar o tempo disponível para pensar na importância do voto em outubro próximo.
A política anda pobre de notáveis, uma meia dúzia estará disputando algum cargo eletivo. Aécio, Itamar e Bonifácio Andrada, em Minas, Maluf, Fleury, em São Paulo, Marco Maciel, em Pernambuco, Cristóvão Buarque, em Brasília, e alguns poucos mais. Temos um grande número de parlamentares que, em cinco ou mais mandatos, foram corretos e dedicados.
Como repórter que acompanha o Congresso Nacional, é fácil identificar em nomes pouco citados na mídia nacional uma atuação positiva e marcada pelo espírito público. Deputados dedicados, como Simão Sessim (PP-RJ), Gerson Peres (PP-PA), José Carlos Aleluia (DEM-BA), Miro Teixeira (PDT- RJ), Márcio Reinaldo (PP-MG) e José Santana (PR-MG), mostram que se pode trabalhar em silêncio que o eleitor atento sabe de sua atuação. E há os novos, revelações, muitos herdeiros de um legado de bons serviços prestados ao Brasil por seus maiores, como os casos de ACM Neto (DEM-BA), Rodrigo Maia (DEM-RJ), Paulo Abi-Ackel e Rodrigo de Castro (PSDB-MG), José Otávio Germano (PP- RS), entre outros.
Tem ainda a turma que vai do Executivo para o Legislativo, como Julio Lopes (PP-RJ), que volta à Câmara, depois de revolucionar o transporte no Rio. Fez, inclusive, o Metropolitano chegar Ipanema.
A classe política anda desgastada, mas quem procurar se informar verificará que a grande maioria ainda justifica o exercício democrático do voto. Que os que mais aparecem nem sempre são os melhores; os que mais influem não são necessariamente os melhores. Mas a maioria silenciosa e trabalhadora sustenta o papel do Parlamento e não pode ser afastada em detrimento de candidaturas marcadas pelo poder econômico, político ou corporativista.
O bom cidadão deve observar, avaliar e anotar, para não incorrer no esquecimento ou nos pedidos de última hora, os nomes que merecem seu apoio, em todos os níveis. E no perfil do político deve ser observado, desde o postulante à Presidência da República ao candidato a prefeito que sejam pessoas de bom trato, simples, delicadas, pacientes e atenciosas com os humildes. Gente fria, mal humorada e rancorosa não serve para amigo, sócio, genro e muito menos político. Mas muitos enganam e, mesmo assim, conseguem ser eleitos. Portanto, todo cuidado é pouco. Quem tivesse percebido, por exemplo, na campanha de Brasília, o que o governador das propinas andava fazendo com sua mulher, ele certamente não teria sido eleito.
Com a Internet fica mais fácil pesquisar. Mas no interior vale também a assistência dada pelo parlamentar ao longo do mandato. Pode parecer considerações sobre o óbvio, mas, na atual conjuntura nacional, a democracia dependerá muito do perfil dos eleitos. Votar dessa vez será, mais do que nunca, um ato de responsabilidade e, neste quadro, independentemente de partidos, os nomes devem ser avaliados cuidadosamente. O Brasil precisa de quem o sirva e não de quem se sirva dele.
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