O turismo no Brasil vem se tornando um negócio importante, nos investimentos, na geração de empregos e nas divisas. Além da própria qualidade de vida do cidadão, com o acesso facilitado às viagens para os trabalhadores melhor remunerados.
Mas ao lado dos investimentos que chegaram, especialmente no Nordeste, e a partir de agora no Rio e nas cidades que sediarão a Copa em 2014, o movimento dos aeroportos (só a TAP tem cinco vôos diários para o Nordeste) –, uma série de omissões do poder público mancha o turismo e compromete sua viabilidade. Aliás, como no resto da economia, o setor no Brasil cresce, mas abaixo de muitos concorrentes e da média mundial.
O governo federal está dividido entre erros e acertos. Uma das melhores iniciativas do presidente Lula foi o programa voltado para as cidades históricas brasileiras, que representam uma oferta de turismo de qualidade. Outros acertos foram as linhas do BNDES para a reforma da rede hoteleira tradicional e a abertura do setor aéreo para uma maior competição, na qual não estão excluídas as empresas regionais. Temos destinações a serem atendidas com grande potencial, como é o caso de Bonito, a porta do Pantanal, em Mato Grosso do Sul. E temos muita coisa a explorar, como o circuito das águas em Minas e São Paulo, que já foi destaque nos anos 40.
Tudo se complica com a omissão em relação às cidades atingidas por desastres, como o caso de Angra dos Reis, cujo Centro, de valor histórico inclusive, tinha como moldura a favela que desmoronou no último final de ano. A vizinha Paraty sofre no saneamento e no controle de seus acessos. E a propaganda negativa corre o mundo. No Rio, um esforço do governo estadual oferece segurança ao turista, mas o noticiário ainda é sobre os confrontos da Polícia com o crime armado.
São detalhes que precisam ser observados, pois a indústria do turismo tem hoje significado em todas as grandes economias. Mas o mais grave parece estar sendo empurrado pela burocracia e é preocupante para o trade: os aeroportos.
Mesmo com as Olimpíadas militares em 2011, a Copa em 2014 e as Olimpíadas de 2016, os aeroportos estão sem projetos, editais e verbas. O caso do Galeão (Antônio Carlos Jobim) é gritante. O terminal antigo, número 1, está sem ar condicionado, escadas rolantes sem funcionar e o trabalho das autoridades sanitárias na caça a inocentes queijos europeus beira ao ridículo. O Santos Dumont ficou inacabado e abandonado, inclusive o seu entorno que parece ser responsabilidade da Prefeitura do Rio. Brasília também pede obras urgentes. Saudades dos tempos em que os aeroportos estavam subordinados à disciplina, austeridade e competência de nossos oficiais da Aeronáutica. Com o DAC, as coisas andavam em ordem.
Olavo Monteiro de Carvalho, ex-presidente da Associação Comercial do Rio, por exemplo, está indignado com a situação na sede das Olimpíadas internacionais. Homem do mundo, ficou chocado quando desembarcou no início do mês num aeroporto semelhante ao que havia passado em território africano. Nada a dever em termos de confusão, desinformação e calor.
Urgem medidas efetivas para resgatar os aeroportos. Senão, a Copa e as Olimpíadas serão mais negativas do que positivas. Alerta, Brasil!
|