O governador de Minas, Aécio Neves, avisou e cumpriu:
Retirou seu nome das especulações quanto à sucessão presidencial. E o fez para não ser conivente com um esquema montado em seu partido, já que a legenda era da regional paulista e a decisão quanto à sucessão estava tomada. Esta, aliás, seria anunciada quando os donos da legenda bem entendessem.
Mas o processo eleitoral não tomou um rumo definitivo. Política não se faz assim – pelo menos, não nas democracias. O povo não foi consultado, na medida em que todos sabem da fragilidade das pesquisas a tão longa distância do pleito. A mais, pesquisa não registra efeitos das alianças; muito menos avalia o peso do tempo de televisão de cada candidato, em país em que eleitor mal acaba de votar e esquece em quem votou.
Aécio foi coerente com sua postura de jovem que não carrega vícios da política de caciques. Desses que definem os rumos partidário sem levar em conta o pensamento das bases e muito menos dos reais interesses da sociedade responsável do país.
O povo tanto pode não votar no nome indicado pelo presidente tão popular e admirado – como ocorreu no Chile – quanto também pode não votar em quem se apresenta como oposição. O que, aliás, no fundo, nem é, pelas origens, sentimentos (e ressentimentos, inclusive) de caminhadas em comum.
Vamos ter um ano complicado. Tanto na política como na economia. Estamos abusando dos bons ventos, da velha imprevidência que marca o temperamento de nossa gente e do histórico de tantas oportunidades perdidas.
Falta-nos um Vargas, com visão e sensibilidade estadista, que nos permitiu um bom salto e anos de tranquilidade. Ou um JK, com descortino nas metas e grandeza na política. Ou ainda um pensamento militar, que nos deu progresso com meritocracia e honestidade. Não temos, hoje, vozes que empolguem a opinião pública. Mas temos reservas de bons homens públicos, de gente nova, idealista e experiente. Homens de bem que não abandonaram ideais da mocidade.
Vamos confiar no triunfo do bem sobre o mal. Vamos torcer para que este clima de depuração atinja gente desqualificada que engana os ingênuos. Vamos acreditar na proteção que tem feito este país se manter de pé e sem derramamento de sangue, pois, a essa altura, tudo é possível acontecer.
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