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A HISTÓRIA MAL CONTADA

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A HISTÓRIA MAL CONTADA

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

O Brasil efetivamente não sabe reconhecer as figuras que, através da história, se anteciparam a acontecimentos ou a movimentos legítimos. Leva fama quem fez o gol ou até quem tem a própria existência posta em dúvida, como são os casos de Zumbi dos Palmares e o Aleijadinho, de documentação muito frágil sobre as versões de heroísmo ou genialidade.

No caso da abolição, inúmeros são os heróis conhecidos, sem retirar o mérito maior que, inegavelmente, foi da Princesa Isabel. Mas aparece pouco um pioneiro na defesa da abolição, mais de meio século antes do fato, que foi o patriarca José Bonifácio. Na questão dos índios, que vivemos um momento de exaltação que beira o ridículo, pelo exagero, a primeira e sensata voz observando a proteção devida aos habitantes originais do Brasil foi a do poeta maranhense Gonçalves Dias.

A abertura econômica que nos trouxe ao progresso que vivemos, evitando um vexame completo, deve-se ao presidente Fernando Collor. Mas, antes dele, Roberto Campos já defendia o modelo da China Nacionalista – Taiwan –, depois Singapura, Coréia do Sul e outros denominados “tigres asiáticos”. E o General Albuquerque Lima, que implantou a Zona Franca no Governo Costa e Silva e que poderia ter se desdobrado em outras. No governo Sarney, foi a última tentativa das Zonas de Processamento para Exportação –ZPE –, sonho do seu ministro da Indústria e do Comércio, José Hugo Castelo Branco. Agora, o modelo tucano-petista de exportar produtos primários é exaltado, enquanto os manufaturados perdem importância que ganharam no tempo de Delfim Neto.

Os programas sociais, colocados em prática nos governos petistas, foram criados no Governo do Distrito Federal, na administração Cristóvão Buarque. E ideias modernas, como o uso de vagas na rede privada para bolsistas, gestão direta das escolas das verbas de manutenção, criação de pólos de excelência, em Brasília, deve-se ao governador Joaquim Roriz, de quem se fala mal e não se reconhece que não se governa quatro vezes uma unidade da federação sem motivos. Brasília quis renovar e colocou um desclassificado como o José Arruda e, pelo que parece, depois de tudo que se viu, a emenda saiu pior do que o soneto, pois o atual não difere muito do anterior. Roriz ao menos teve o que mostrar.

Este ano que será mesmo de crise de tudo quanto é lado, pode vir a apresentar a conta da política externa equivocada. Com hostilidades aos nossos melhores aliados e tolerância com o atraso latino-americano do velho e corrupto caudilhismo populista.

Getúlio Vargas ainda não foi colocado no ponto fundamental de quem livrou o Brasil de envolvimento na guerra – entramos já no final com a disputa decidida – e nas lutas ideológicas radicais, que dividiam a maioria das nações.

Temos de conhecer melhor a história.

 

 

 

 

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