A IMPORTÂNCIA DO SISTEMA S

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A IMPORTÂNCIA DO SISTEMA "S"

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

      

     Quem tem memória e acompanha os programas eleitorais pela televisão, desde que foi instituído há mais de 30 anos, fica entediado com as promessas voltadas para educação, saúde e pensionistas. Todos prometem fazer o que nem podem, se eleitos, mas o fazem por saber que o povo  aspira a saúde, educação para os filhos e melhoria das pensões. Durante algum tempo, o INSS chegou a subir o teto para 20 mínimos, cobrou de quem devia e depois recuou e nunca indenizou quem pagou por um direito que não receberia.

      Agora o Brasil cresce e não tem mão-de-obra para atender a demanda. Estamos importando técnicos e trabalhadores especializados, quando temos tanta frente desempregada ou subempregada. Os governos, e vem de longe, nunca fizeram nada pelo ensino profissional, ficando tudo a cargo do sistema S, que funciona, só que tem recursos limitados. O governo Lula foi o primeiro a dar atenção ao problema via a construção de centenas de CEFETs pelo país. Mas o melhor teria sido fazer como Aécio Neves, em Minas. Repassou recursos para o sistema S e, assim, não precisou investir, selecionar e administrar uma área em que já existia quem sabia fazer melhor.

     A situação é grave. Basta uma consulta ao Ministério do Trabalho para se verificar que impressiona o número de estrangeiros que chegam para trabalhar em funções de bom nível. E o Brasil não pode negar as autorizações sob pena de ver fechadas indústrias importantes. Exemplo maior está no Rio, na Companhia Siderúrgica do Atlântico, que já anunciou que substituirá os estrangeiros, mais de mil, assim que o mercado local puder atender às suas necessidades.

    Deveria ser feito um mutirão para a qualificação, a começar pela reciclagem de engenheiros, por exemplo, que abandonaram a profissão no passado por falta de oportunidades. Chamar de volta ao mercado, treinando intensivamente através da rede privada, que é mais ágil em implementar um sistema para a emergência que vivemos.

    O curioso é que as centrais sindicais não se interessam pelo assunto. Gostam de fazer política, de tumultuar as relações entre o capital e o trabalho, mas... Nem uma palavra sobre a falta de habilitação do operariado. E, quando podem, falam até mal do sistema S, criado pela sensibilidade e clarividência de Getulio Vargas. Ele sabia que o Estado não daria conta do recado. Só funciona mesmo em poucas áreas, como na diplomacia –  Instituto Rio Branco –, Forcas Armadas e alguma coisa no serviço público, com os despojos do antigo DASP. Na educação, mesmo a reciclagem do corpo docente é um fracasso conhecido. O ensino público é de má qualidade e os professores apreciam uma greve, recebendo sem trabalhar com as exceções naturais numa carreira de idealistas.
              
   Urge treinamento adequado, um esforço nacional, para atender ao crescimento e melhorar a vida do trabalhador.

     È preciso valorizar o professor, e estes devem de respeitar os alunos e cumprirem para com seus deveres perante as escolas. Basta vontade política para que o magistério volte a ter o prestigio que já teve perante a sociedade.

 

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