A MEMÓRIA NO CONGRESSO NACIONAL

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Senado e Câmara dos Deputados dispõem hoje de orçamento, recursos técnicos, quadros de qualidade e alto grau de informatização. Portanto, poderiam levar ao grande público, especialmente estudiosos da vida política nacional, as grandes presenças naquelas duas casas ao longo da história.

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A MEMÓRIA NO CONGRESSO NACIONAL

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

       

    Senado e Câmara dos Deputados dispõem hoje de orçamento, recursos técnicos, quadros de qualidade e alto grau de informatização. Portanto, poderiam levar ao grande público, especialmente estudiosos da vida política nacional, as grandes presenças naquelas duas casas ao longo da história.

   Depois da Constituinte de 46, possivelmente, temos discursos gravados, que poderiam ser recuperados e editados, numa seleção dos maiores, como Carlos Lacerda, Vieira de Mello, Raimundo Padilha, Abel Rafael Pinto e Oscar Corrêa. Alguns pela graça e cultura, como Carvalho Sobrinho; outros pelas grandes gafes ou diálogos antológicos. No Congresso, sempre tivemos intelectuais, membros da ABL tais como Gilberto Freyre, Menotti Del Picchia, Luiz Vianna Filho, Afonso Arinos e Roberto Campos. Hoje temos dois acadêmicos:Gilberto Freyre, Menotti Del Picchia, Luiz Vianna Filho, Afonso Arinos e Roberto Campos.

   Discursos históricos como o que custou o mandato de Luís Carlos Prestes como senador, o de Carlos Lacerda se defendendo do “caso Brandi”, o de Afonso Arinos que foi peça fundamental na queda trágica de Vargas, a sessão da renúncia de Jânio Quadros e a de Collor de Mello, que acabou não sendo considerada. O último discurso de JK, já ciente que perderia o mandato. Enfim, uma seleção de discursos que seriam aulas de História e de civismo.

    Também caberiam os discursos de posse no Congresso dos presidentes da República de 46 para cá. O Brasil precisa cultivar seus valores, lembrar seus grandes filhos. As TVS e rádios do Congresso já fazem um bom trabalho. Mas ainda é pouco.

    No âmbito do Ministério da Cultura, seria importante a divulgação dos nossos hinos – Nacional, da Independência, da República e da Bandeira – e fatos marcantes de cada governo. Uma vergonha um país em que a maioria da população desconhece o próprio Hino Nacional. Neste trabalho, para que não houvesse  influências políticas ou ideológicas, a coordenação deveria  ser da Academia Brasileira de Letras, que é órgão  reconhecido pela sua independência e qualidade, abrigando, inclusive, historiadores de alta qualidade.

    Talvez, tomando conhecimento da qualidade que já teve nosso Congresso, o eleitor passe a ser mais exigente no momento de votar. Estas eleições ainda deixaram a desejar em termos de melhoria na qualidade dos eleitos para os parlamentos, seja o federal ou os estaduais. Sem ou com poucos políticos respeitados fica difícil consolidar um regime democrático  que se sustente por longo período.

    O último pleito não melhorou o Congresso. Pelo contrário.

 

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