A NOVA CABEÇA DO ELEITOR

A NOVA CABEÇA DO ELEITOR

A eleição deste ano será singular e fortalecerá a convicção de que nossa democracia precisa ter regras mais definidas e a atividade política, mais organizada. O que está prevalecendo e decidirá as majoritárias é a alma popular, de um eleitorado que cresceu e demonstra uma intuição que foge às análises dos “cientistas políticos”. Alianças partidárias não estão valendo nada na prática e o voto será mesmo cruzado, sem essa história de obediência a alianças feitas em gabinetes.

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A NOVA CABEÇA DO ELEITOR

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

      

         A eleição deste ano será singular e fortalecerá a convicção de que nossa democracia precisa ter regras mais definidas e a atividade política, mais organizada. O que está prevalecendo e decidirá as majoritárias é a alma popular, de um eleitorado que cresceu e demonstra uma intuição que foge às análises dos “cientistas políticos”. Alianças partidárias não estão valendo nada na prática e o voto será mesmo cruzado, sem essa história de obediência a alianças feitas em gabinetes.
       
        As pesquisas estão aí para serem estudadas, analisadas, e não tidas como indicadores definitivos. Tem muita coisa noticiada; não estudada. No caso mineiro, por exemplo, o governador Anastasia vence nos grandes centros, onde é conhecido, e perde no interior, onde seu opositor, que é senador, ex-ministro e foi candidato duas vezes ao governo anteriormente, é conhecido, inclusive, pela longa militância na televisão. Isso é significativo. Ora, todo mundo sabe que o prestígio de Aécio Neves, patrono da candidatura Anastasia, é imbatível no interior, onde os prefeitos, inclusive muitos da aliança de oposição, o apoiam, onde as chapas de estaduais e federais exercem influência direta e os grandes nomes estão com Anastasia. Logo, quem verificar as pesquisas, já na segunda semana do horário eleitoral, verá a eleição embolada e, possivelmente, com a tendência de crescimento maior para a chapa Anastasia-Aécio-Itamar.

         O eleitor mineiro, coerente com esse voto do reconhecimento, votará na candidata do presidente Lula, que ultrapassará o tucano Serra no estado em mais uns 15 dias. O mineiro gosta tanto de política quanto de futebol. Sabe, portanto, que foi o candidato do PSDB  que tirou de Minas a chance de voltar a governar o Brasil com Aécio Neves, que poderia concorrer em vantagem, com uma aliança maior que lhe daria mais tempo de TV – a única validade das alianças. Além de ele ser parte da nova geração, o olhar para frente que o país esperava.

        Em São Paulo, não será diferente. Vence a chapa Geraldo-Afif e Dilma perde por diferença bem menor do que aquelas registradas nas eleições anteriores com as candidaturas de Lula. A capacidade de um voto de fidelidade tucana em São Paulo deve ficar nos patamares do candidato ao Senado, que, embora na chapa e antigo auxiliar do candidato Serra, é “companheiro de armas” de Dilma.

        No Rio, o voto é mais coerente com a aliança partidária por motivo de fácil explicação. Entre os estados brasileiros, era o Rio que atravessava longo período de decadência econômica, política e até moral, com assustadora queda no padrão de vida da população e de suas atividades não vinculadas ao petróleo. Sérgio Cabral aliou-se ao governo federal, elegeu o prefeito do Rio, saneou as finanças, investiu nos transportes, na saúde e na segurança. Portanto, estará junto à candidata do presidente Lula na faixa dos 70% dos votos. Gabeira, maduro, teve sua chance na eleição municipal e errou numa candidatura fora da realidade. São muitos seus admiradores que votarão em Cabral. Serra, no Rio, não existe. Deve chegar atrás de Marina Silva.

       O povo, portanto, sabe das coisas e vai se encaminhando para um voto pragmático, esperando que o país tenha instituições políticas mais definidas, inclusive com um lugar para o pluralismo – já que a maioria silenciosa, a que elege o Congresso, é nitidamente conservadora. O centro-direita existe, mas não disputa, dentro do projeto FHC de que as eleições devem ser disputadas entre facções de esquerda, como vem ocorrendo desde que ele se elegeu.

     José Serra deixou-se cegar pela ambição e pela vaidade nessa empreitada, afastando o candidato viável e natural que era Aécio Neves e deixou uma re-eleição tranqüila em troca de um sonho difícil de tornar realidade. Pode perder. Deve perder. E de lavada, como se diz na gíria popular. Quem viver verá !!!

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