Este Brasil que demora em reparar erros e distorções nos remete a oportunidade de, agora que teremos presidente e governadores empossados, alterar a infeliz data para o início dos mandatos. Uma bobagem que salta aos olhos, diminui o prestígio e a solenidade das posses e transtorna a vida dos envolvidos. A data deve coincidir com a dos parlamentares federais e estaduais e ponto final. Esta, por sua vez, não deve ser 1º de março, já que, este dia, às vezes, cai no Carnaval. As posses poderiam ser no dia 31 de janeiro, como na Constituição de 46 – uma das melhores que tivemos, diga-se de passagem.
Outro fato que merece um reparo, por ser razoável e democrático, seria alterar, como ocorre em diversas democracias, o conceito de maioria para vencer o pleito majoritário. Deveria ser 40%; não a metade mais um dos votos.
Na área fiscal, temos uma coleção de absurdos. A começar pelo Imposto de Renda, que ainda exige dos contribuintes declararem linhas de telefone fixo, que já não possuem valor algum. É como se vivêssemos aquele passado de não se investir, cobrar pouco e não dar telefones pedidos pelo mercado.
A água mineral portuguesa Pedras Salgadas, entre as melhores do mundo, deixou o mercado brasileiro em função da embalagem ter sido modificada e a burocracia para aprovar a nova ser tão grande, que o importador desistiu. Assim como as sardinhas defumadas da Finlândia, presentes há décadas no mercado nacional, não são mais permitidas, para tristeza dos clientes do sofisticado Santa Luzia de São Paulo. Coisas que não combinam com um Brasil que disputa a direção de tantos organismos internacionais e frequentemente é derrotado.
Ainda nesse capítulo... Nada mais irritante e ridículo do que a fúria com que fiscais da Agricultura revistam as bagagens dos passageiros dos voos internacionais em busca de inocentes – e saborosos – queijos e embutidos que os mais gulosos gostam e teimam em trazer na bagagem.
As agências reguladoras, criadas para a defesa do consumidor, normalmente são omissas em casos concretos e detalhistas em criar dificuldades aos empresários. No caso das estradas com pedágio, por exemplo, nada faz em relação à concessionária da BR 040, a única que não integra o sistema de cobrança eletrônica de todas as demais. Certamente por teimosia.
As distribuidoras de energia elétrica, que lutam para diminuir a fraude pela via de novas tecnologias de medição de consumo, sofrem nas mãos do INMETRO. Este é lento em aprovar equipamentos consagrados internacionalmente e de responsabilidade de empresas altamente conceituadas aqui e no exterior.
Com esse comportamento, nem podemos condenar as revistas rigorosas e desconfortáveis aos passageiros nos aeroportos americanos e europeus. Muito embora, nestes casos, a prevenção ao terrorismo tenha o seu sentido.
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