Não podemos fugir mais. Precisamos enfrentar com realismo um quadro de alta tensão política e institucional. O presidente Lula comanda um governo que tem ampla base de apoio no Parlamento. Mas esta base é conservadora e não revolucionária. A maioria quer ver emendas liberadas, ter seu nome ligado às
obras do PAC e manter posições na máquina que atendam a seu eleitorado. Gente com a cabeça revolucionária, hoje, é minoria
Até no PT e no PCdoB. Os radicais estão sem mandato, mas ocupam cargos relevantes no governo.
São quase duas centenas de parlamentares espalhados pelo PP, PTB, PSC, PDT, PR, que, com o PMDB, partido de centro, apóiam o governo. Na oposição, os Democratas e parte
do PSDB são centristas, ficando a esquerda com a maioria do PSDB - segundo o senador Sérgio Guerra, um partido de esquerda - e com o PPS, que substituiu o Partido Comunista Brasileiro,PCB.
O povo que garante tanta popularidade ao presidente não é de esquerda, não vota na esquerda e não aprecia radicalismos. Por outro lado, possui valores que estão distantes dos radicais, sendo maioria de fundo religioso, gente que ama a paz e a ordem e tem o maior respeito pelos nossos militares, que são amados pela
população ordeira e trabalhadora.
O presidente Lula é popular por ser homem sensato, do diálogo, muito prejudicado por companheiros que destilam ódios e ressentimentos. Lula só tem tido problemas com estes estranhos aliados, que barram seus projetos pelo lado ambiental, criam crises artificiais, como foi a dos aeroportos (um mero caso de indisciplina sindical), ameaçam a imprensa e empurram o Brasil para se aliar a Hugo Chávez, a admitir diálogo com terroristas do Hamas e a receber com honras o presidente do Irã, condenado pelo mundo civilizado a que, pelo menos na teoria, pertencemos.
Os empresários andam tontos com a escalada revolucionária nas cidades e nos campos. Com a maior facilidade, são invadidos e fica tudo por isso mesmo - quando não são acusados de usar de trabalho escravo, sonegar impostos e formar quadrilhas. Não temos vozes com a autoridade e a coragem daqueles que lutaram
quando estávamos sitiados por greves, ligas camponesas e "grupos dos onze", que se preparavam para a tomada do poder. Tem gente que fica pensando no ganho de hoje e deixa rolar as agressões que extrapolam o econômico-financeiro para atingir o campo da dignidade e da imagem. São os que acreditaram no agronegócio, investiram e agora são atacados e ficam no silêncio, nas reações no campo jurídico, quando a
questão é muito mais relevante por ser política.
As chamadas "forças vivas da nacionalidade" - se é que ainda existem – precisam ajudar o presidente Lula a governar com quem lhe dá maioria e lhe dedica respeito e admiração, e não com criadores de caso, indiferentes aos interesses nacionais.
Alegres, irresponsáveis, muitos dos donos do capital se mostram desprovidos de patriotismo, de convicção do papel da livre empresa numa democracia socialmente justa. Fingem não acreditar na dimensão dos riscos de perdermos tudo o que
construímos em termos de democracia com avanço social e economia organizada.
Parece que só pensam mesmo naquilo, ou seja, no dinheiro que ganham. Nem no processo sucessório esboçaram algum gesto no sentido de levar bom senso à escolha do nome de oposição que pudesse vencer.
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