O Brasil experimenta avanços na distribuição de renda, consolida uma economia que pode ser moderna e progressista, desfruta de ampla simpatia internacional e enfrenta questões fundamentais, como a violência urbana. Mesmo assim, surgem vozes pregando a divisão, a discórdia, inspiradas por sentimentos menores de revanchismo, de ódio, que em nada ajudam o país ou a sociedade.
Paulo Brossard, lúcido e respeitado homem público, um democrata acima de qualquer suspeita, em artigo amplamente divulgado, sentenciou com sabedoria: “Anistia não é Justiça, é paz”. E querem acabar com a anistia de um lado apenas, como se não houvessem mortos e mutilados em ambos os lados. Sequestro não é crime hediondo? “Justiçar” um companheiro que resolve abandonar uma causa não é crime hediondo? Matar inocentes bancários em nome de supostos ideais políticos não seria crime hediondo? Assassinar “por engano” um oficial estrangeiro não seria crime hediondo?
A paz é a base da prosperidade. E a anistia tem o sentido nobre do perdão, do esquecimento, do olhar para frente; não para trás. A anistia é unir, como fez, com grandeza, o presidente João Figueiredo. Temos de virar a página desses episódios. E de outros mais, que vão buscar na história distante, na base do ressentimento e da mentira, motivações para seus intentos. Querem alterar a história e, neste ano do centenário da morte de Joaquim Nabuco, deveríamos pensar na parcela da sociedade brasileira que lutou pela abolição, até a aprovação pelo Parlamento e a sansão da Regente Princesa Isabel. Ficar nessa busca de culpados resulta nos livros que estão sendo editados, mostrando o que se sabia e que deveria ser esquecido, que foi a forte presença de negros no comércio de escravos, que muitos alforriados passavam a se dedicar ao terrível tráfico. A política de cotas quer dividir brasileiros, quando representamos o maior e melhor exemplo de miscigenação do mundo. Querem negar Gilberto Freyre, que é nosso nome maior, de sociólogo, antropólogo e homem de pensamento. E que não teve medo de assumir posições políticas, inclusive sendo ele mesmo parlamentar.
São almas pequenas, que deveriam estar alinhados nas lutas sociais de hoje, nos projetos desenvolvimentistas. E não fazendo coro com os que tentam barrar o progresso em nome da ecologia, inibir investimentos no campo, fechando os olhos para a violência dos revolucionários do MST. Freud explica o que move esta gente cheia de complexos, de ressentimentos, de frustrações, que passam a viver em função de uma militância do mal, do ódio, da inveja. Roberto Campos costumava dizer que, no Brasil, prosperava um tipo de esquerda que não tinha nenhuma preocupação com os pobres, mas uma imensa raiva dos ricos e bem-sucedidos. E, nos últimos tempos, uma obsessão para justificar equívocos do passado. A começar pela farsa de que seriam democratas e não seguidores de Fidel, Mao e Stalin.
Uma pena esse retrocesso, essas tentativas de desmoralizar nossas Forças Armadas, dignas, que emprestam uma grande contribuição ao país, mas que não podem assistir em silêncio a desconstrução de uma credibilidade que acompanha nossa história desde a Independência. Realmente, sem a firmeza dos militares, implantar o regime “bolivariano”, que habita influentes mentes em Brasília, não precisaria nem de decreto.
Que as forças vivas da sociedade não se omitam, acovardadas, intimidadas e pressionadas por executivos que não acreditam na livre empresa e, no fundo, possuem os mesmos sentimentos freudianos. Uma elite cultural e econômica que não defende a liberdade não merece o destaque e o prestígio de que desfruta na maioria silenciosa e aparentemente indefesa.
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