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LEMBRANÇA DE ADHEMAR

Adhemar de Barros teria completado 108 anos no mesmo dia dos 509 do descobrimento do Brasil. Foi a oportunidade para se olhar sobre a trajetória do homem público que marcou a vida paulista por mais de 30 anos e deixou fortes referências. Muitas lições são mais do que atuais face ao momento que o país vive. Foi o que fiz durante o ultimo feriado.

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LEMBRANÇA DE ADHEMAR

 
                 

         Adhemar de Barros teria completado 108 anos no mesmo dia dos 509 do descobrimento do Brasil. Foi a oportunidade para se olhar sobre a trajetória do homem público que marcou a vida paulista por mais de 30 anos e deixou fortes referências. Muitas lições são mais do que atuais face ao momento que o país vive. Foi o que fiz durante o ultimo feriado.

       Em primeiro lugar, é de justiça reconhecer que Adhemar de Barros foi o primeiro governante com visão de estadista, empreendedor, com mentalidade moderna, fruto dos anos em que estudou na Europa. Teve a ousadia de tocar projetos da envergadura das estradas Anchieta e Anhanguera, as duas primeiras modernas do Brasil, e, quando voltou, em 63, abriu a Castelo Branco, orientando o eixo do progresso para a região da sorocabana. Foi ele quem concebeu, iniciou e inaugurou o Hospital das Clínicas, que, até hoje, é referência de atendimento médico no Estado de São Paulo. A ele, deve-se a diversificação da agricultura paulista, inclusive a introdução da fruticultura.

        Ele, mesmo sendo empresário, manteve com os empreendedores paulistas as relações mais estreitas, como os casos de Roberto Simonsen, Oscar Americano, Horacio Lafer, Ricardo Jafet e Amador Aguiar – este último seu secretário de Finanças quando prefeito de São Paulo. Homem que acreditava no poder do investimento privado, nacional e internacional também se empenhou para dotar São Paulo de mão-de-obra qualificada, abrindo escolas técnicas antes da criação do sistema S, que só veio a ocorrer ao longo de seu segundo mandato eleito. Com a inteligência e a cultura de seu tempo, basta lembrar a amizade com Miguel Reale, seu secretário por duas vezes. Deve-se a ele a confirmação do engenheiro Prestes Maia na Prefeitura paulista, quando interventor, e de Mauricio de Medeiros e Mario Pinotti para ministros de JK, na cota de seu partido.

         Como todo empreendedor, despertou ciúmes, vítima de acusações descabidas, o que não o impediu de ser, enquanto viveu e fez política, um líder no estado que governou por três vezes, foi prefeito da capital e ganhou dimensão nacional a ponto de ter disputado por duas vezes, bem votado, as presidenciais. No Rio de Janeiro, então capital da República, foi o mais votado em 55.

         Hoje, com os recursos do computador, seria interessante que alguém criasse um quadro do que seria São Paulo sem as administrações de Adhemar de Barros, mais as de Faria Lima e Paulo Maluf. Todos da escola das realizações com planejamento e olhar para o futuro.

        Este homem, adorado por uns, temido por outros e rejeitado por tantos, foi de coragem pessoal e política rara. Começou em 32, na Revolução Constitucionalista e foi fundamental em 64. Com seus companheiros da Guanabara, Carlos Lacerda, do Rio Grande do Sul, Ildo Meneghetti, do Paraná, Nei Braga, apoiou o movimento deflagrado em Minas por Magalhães Pinto. Vinha já se preparando para a eventualidade de ter de resistir ao golpe programado pelas esquerdas, treinando e armando a Força Pública, que confiou a um respeitado oficial. Homem de boa índole, traído por tantos, injuriado, sabia perdoar e não guardava mágoas, sendo ainda homem de fortes e inabaláveis convicções religiosas.

        Já é mais do que tempo de um revisionismo de certos setores da vida paulista e brasileira em relação a esse político e administrador de vanguarda, cultor da eficiência, da ordem pública, que amava os pobres sem odiar os ricos. Teria sido uma oportunidade feliz aproveitar esta data para lembrar quem fez política com fé e o lema “para frente e para o alto”.

 

 

     
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