Muitas empresas de porte médio, no comércio, nos serviços e na indústria foram atropeladas pela crise e estão estagnadas. Planos de expansão suspensos, unidades desativadas e nenhum programa oficial de apoio.
As pequenas e micro empresas já possuem estímulos e facilidades fiscais, a começar pelo SIMPLES que foi uma bela iniciativa. Mas as médias, que não possuem as facilidades creditícias das grandes e enfrentam dificuldades, estão desamparadas neste momento difícil. É de se supor que venham a ser socorridas ? seja pela dilatação de prazos nos empréstimos ou no recolhimento de tributos-, inclusive face às despesas com as demissões que são obrigadas a promoverem e que custam caro.
Lembro-me de um antigo político, com atividades empresariais, que dizia que o governante tinha de conhecer as dificuldades de quem já trabalhou atrás de um balcão, correndo os riscos inerentes ao capitalismo. Realmente a falta de vivência empresarial do burocrata é que leva a situações de injustiça em que todos perdem.
Essa história de que a crise acabará no segundo semestre não convence o empresário que tem estoque para vender, contas para pagar. Temos de agir para evitar que muitos acabem por desistir de seus negócios e, assim que puderem, se retirem para o ócio remunerado pelos juros. Não é dessa maneira que se consolida uma sociedade empreendedora, que precisa dos experientes para orientação dos mais jovens e mais ousados. O abre e fecha de empresas no Brasil anda muito alto. Precisamos de estabilidade. E ruas de comércio antigo nas grandes cidades já mostram portas fechadas.
Grande esforço no sentido de alertar as autoridades da área econômica tem sido feito pelas entidades de classe, como as associações comerciais e as federações. Estas possuem estudos atualizados sobre o quadro nacional, mais realista do que aqueles que circulam nas mesas da burocracia.
Na construção civil, na revitalização de áreas degradadas de nossas capitais, falta criatividade de se estimular lançamentos, com a presença das municipalidades dando sua cota de incentivo como, por exemplo, isentar de IPTU os cinco primeiros anos. Imobilismo não leva a lugar algum.
Lembrando sempre o mestre Roberto Campos, falta mentalidade de crença na importância do empreendedor para se tomar iniciativas pragmáticas. Políticos que só querem tirar proveito dos empresários, muitos coagindo quem produz, podem estar dando um tiro no pé. Sem apoio aos empresários, especialmente aos médios que estão sofrendo, poderemos marchar para uma crise social. E daí... |