Apesar de vivermos um momento de preocupação política, a sociedade vai assumindo uma postura mais firme aos poucos. Existem receios, seja de reações oficiais ou de interpretações da mídia, mas o que se nota é que, nas páginas de “cartas” dos principais jornais do país, é o homem comum que grita, denuncia, protesta. Exemplo está na condenação de nossa intromissão na política de Honduras que oscila em torno de oitenta por cento.
Entre os analistas econômicos e mesmo lideranças empresariais, poucos se atrevem a apontar os gargalos que podem fazer do Brasil um país mais injusto, mais dependente – porém, mais fácil de governar. A história de pré-sal soa para os esquerdistas no governo (e para os que querem chegar lá) como a possibilidade de uma administração irresponsável, com caixa para bancar suas aventuras e agressões ao capital privado. São os que morrem de inveja do alegre socialismo bolivariano, que empobrece o país, afasta os empresários, mina a resistência democrática e corrompe parte da população com os recursos do petróleo vendido aos EUA.
Na energia, as obras de Angra 3 não estão liberadas como muitos imaginam. As licenças são dadas a conta-gotas e, a qualquer momento, uma medida do Ministério Público ou do IBAMA pode gerar problemas. Nenhuma Medida Provisória ou emenda constitucional livrou as obras de infraestrutura das instâncias judiciais e administrativas inferiores. No entanto, o contrário disso seria o mínimo que o governo poderia fazer, depois de sete anos de dificuldades. Obras federais só deveriam ser consideradas pela Justiça Federal, de Brasília, e pela direção de órgãos como o IBAMA e outros semelhantes. Até mesmo para salvar o PAC. Agora, por mais inacreditável que possa parecer, surge uma orquestração colocando em dúvida a importância de Belo Monte para a confiabilidade de nosso sistema elétrico. Tolice. Belo Monte é o melhor projeto do Brasil e ponto final. Alternativas fora do aproveitamento do ainda considerável potencial hidroelétrico nacional são de alto custo e não facilita o investimento.
O álcool parece abandonado. Não se estimula a produção, nada se faz para efetivamente colocar o produto nos mercados internacionais. Uma simples adição de 8% na gasolina da Europa ou dos EUA, em quatro fases anuais de 2%, atenderia aos países produtores. Alguns pobres, como os da América Central, poderiam receber investimentos e tecnologia, inclusive do setor brasileiro, e nos daria maior produção, sem risco de encalhe. No mercado interno, os carros flex já vão garantir a volta aos patamares do final dos anos 80.
A crise vem afetando o comércio de maneira cruel. Não o conjunto que inclui as grandes superfícies, shoppings, hiper e supermercados, mas o comércio de rua, que tem função social considerável e não deve ser abandonado. Estamos melhor na macro do que na micro economia, e esta é que toca ao brasileiro mais necessitado.
Alguns setores poderiam ser incentivados, como o segurador, em que o Brasil não chega a movimentar 2% do montante dos EUA. O apoio às cooperativas de artesanato para exportação, com maior apoio ao SEBRAE, também seria bem-vindo. Assim como uma política de uso dos espaços disponíveis nos aviões para movimentar cargas e, por fim as zonas especiais de exportação anunciadas, aprovadas, mas que não saem do papel.
Não é se fiando nos elogios da mídia internacional, no pré-sal, nas reservas, que vamos sustentar o crescimento. Este está ameaçado pelos gargalos na infraestrutura e pela mentalidade dos que acham acobertar Zelaya mais importante do que qualquer tema que toque a vida real do Brasil real.
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