POLITICA EXTERNA E O INTERESSE NACIONAL, brazil, bndes, Odebrecht

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Aristóteles Drummond   

POLITICA EXTERNA E O INTERESSE NACIONAL

                           Muita gente mal informada e de cabeça feita por meio século de propaganda castrista tem uma visão distorcida sobre a questão Cuba-EUA. Essas pessoas imaginam que o boicote americano a ilha-prisão do Caribe se deve a motivos de natureza política ou ideológica. Grande bobagem, que só pode ocorrer a mal intencionados ou a desavisados. Os EUA conviveram comercialmente com a cortina de ferro durante todo o tempo e me ocorre que boicote comercial aconteceu apenas com o Irã e o Iraque, Líbia, pelos motivos conhecidos e transitórios.

                           O que determinou o boicote a Cuba, e sua permanência até hoje, foi o seqüestro de bens de norte-americanos, sem indenização. Desde casas de veraneio a usinas de açúcar, passando por concessões de eletricidade, telefones e cassinos, entre outros. A reação americana foi ao roubo descarado e ousado. Fidel tomou na marra e o país ainda amarga as conseqüências.

                             No Brasil, Leonel Brizola, quando governador do Rio Grande do Sul, tentou fazer a mesma coisa, na mesma época. Seu cunhado Jango Goulart, no entanto, logo acertou as contas com as empresas de eletricidade encampadas –  sem o pagamento do justo valor – e acabou assumindo outras, para alegria dos americanos que amargavam prejuízos com a política tarifária populista então praticada.

                              O governo americano garante o patrimônio de seus cidadãos até as últimas conseqüências, como democracia e como nação que sabe se fazer respeitar. Mas, infelizmente, estamos assistindo a um perigoso processo de alguns vizinhos desrespeitarem direitos de empresas e de cidadãos brasileiros. Casos concretos na Bolívia e agora no Equador, envolvendo o BNDES e a empresa Odebrecht, que representa tão bem a engenharia nacional em dezenas de países amigos. Não reagir energicamente a esta afronta nos custará caro, além da humilhação internacional.

                                 O silêncio, a política de conciliação, estimulará o Paraguai a perseguir ruralistas brasileiros. Estes, que estão há décadas na região de fronteira, podem vir a ter os bens confiscados. Isso sem falar da ameaça ao tratado de Itaipu, que foi bandeira eleitoral do atual presidente.

                                   A Venezuela, no fundo, estimula esse tipo de ação. E por um motivo muito simples: a liderança latino-americana reconhecida internacionalmente do presidente Lula, como na recente reunião de Santiago. A atuação do líder brasileiro acaba frustrando imensamente o governante  vizinho.

                                Não podemos, portanto, conciliar na defesa dos interesses nacionais ameaçados por um modismo ultrapassado que surge em parte de nosso Continente. Não nos faltarão, nos embates diplomáticos, apoios de governos sérios e corretos. E, por último, mas não menos importante esta situação reforça a tese de que precisamos reequipar o quanto antes nossas Forças Armadas, criminosamente sucateadas nos últimos 20 anos.

                                Falar em generosidade com nossos vizinhos, generosidade traduzida em recursos, é afrontar as dificuldades de tantos brasileiros, muitos dos quais vivendo inclusive no zona de fronteira com estes países.

 

 

 

     
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