MEMÓRIA POPULAR

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Aristóteles Drummond   

 

MEMÓRIA POPULAR        

O povo, que, afinal, é quem faz a história, tem uma sabedoria maior do que a imaginada por precipitados e despreparados atores da vida pública. São os que ignoram a percepção popular dos sentimentos legítimos do patriotismo e repudiam a demagogia, se não num primeiro momento, um pouco mais adiante.

Assim, a memória popular associa  positivamente a presença no poder, ao longo da história, de homens verdadeiramente notáveis, como Pedro II, Getúlio Vargas e JK. O regime militar é recordado como uma fase de grandes obras e de sentido social, como saneamento e habitação. José Sarney e Itamar Franco são presidentes lembrados e que recebem, em vida, na plenitude de suas participações na vida pública nacional, o reconhecimento pela conduta no mais alto cargo do país. Ambos, além das mãos limpas, mostraram-se solidários com as camadas mais sofridas da população e souberam conciliar os interesses do desenvolvimento econômico com o social.

Não adianta esse esforço de antigos companheiros de João Goulart, que, não sendo desonesto nem radical, foi um fraco como administrador como líder político e como governante. Não tem sentido esta tentativa de reabilitá-lo, pois os números e os fatos históricos falam mais alto do que a boa vontade e a sinceridade de seus admiradores. Foram anos de inércia administrativa e desgaste econômico.

Itamar Franco é um nome forte na política nacional. Em 2010, será decisivo na sucessão presidencial como na estadual. Pode voltar a vida pública de diversas maneiras, sendo a mais certa o retorno ao Senado. Cargos majoritários só disputa por chamamento, como o foi nas vezes anteriores. Sua força vem da personalidade do homem cordial, mas firme em suas convicções, honesto e simples. O povo sabe identificar  o perfil dos políticos e rejeita, naturalmente, os que atuam com soberba ou frieza.

José Sarney, no terceiro mandato de senador depois de exercer a Presidência da República (já tinha tido dois outros anteriormente), é uma reserva política e moral do Brasil. Caso não volte a presidir o Senado, cargo que não ambiciona, quem sairá perdendo é a própria instituição parlamentar, uma vez que sua atuação sempre foi exemplar, com bom senso, habilidade e sabedoria.

Sabemos que pesquisa eleitoral, com tanta antecedência, atende apenas aos interesses de quem as paga, embora elas reflitam o retrato real do instante. Mas quem conhece um pouco de política e de eleições sabe que, no momento, o retrato é deformado. O favoritismo do governador paulista vem de seu nome ser conhecido e estar na mídia, diariamente em destaque, do maior eleitorado do Brasil. Mas não se fala da rejeição que possui e do limite de seu crescimento em função de seu perfil de homem frio e de trato difícil.

Na verdade, a área do governo tem no deputado Ciro Gomes um nome viável. Já a oposição conta apenas com Aécio Neves, pela união de Minas, pelo seu desempenho e pela postura de homem moderno, eficiente e sem ressentimentos na alma. Como livres atiradores, contando com o respaldo popular e mesmo sem estruturas partidárias poderosas, não se pode ignorar o já referido Itamar e o ex-presidente Fernando Collor, que, certamente, possui um patrimônio eleitoral respeitável. Com todos os erros cometidos por seus despreparados companheiros de primeira hora, Collor foi quem deu início a inserção internacional do Brasil. E o povo tem memória.

Lideranças não se fabricam em tempos de crise como a que vivemos e na qual, infelizmente, ficaremos nos próximos anos. Mas o valor da experiência pode ser fundamental e garantir a segurança que o povo exige quando o tempo está nublado e sujeito a trovoadas. Este é o tema político para o novo ano.

 

     

 
 

 

 

     
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