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Em meio à crise por que passa a economia, surge o saudável debate sobre a questão urbana, com ênfase para o drama habitacional para as faixas de baixa renda da população. O sentido social responsável de Roberto Campos fez com que o presidente Castelo Branco aprovasse a criação do BNH com os recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que estava sendo criado para liberar as empresas de passivo trabalhista que as tornavam quase todas de patrimônio negativo. E, assim, ao longo dos governos dos presidentes Costa e Silva, Médici e João Figueiredo, o Brasil viu construídas mais de cinco milhões de habitações (grande parte para as classes C e D). No Rio, Negrão de Lima removeu as favelas da Lagoa e acabaria com as demais da Zona Sul, não fosse ter sido sucedido por um político menor como Chagas Freitas.
Capitais como Rio e BH ainda podem dispor de grandes áreas para a construção de edifícios populares nas imediações da zona mais central, como são os casos da Gamboa, Saúde e Estácio, no Rio, e Lagoinha, em BH. Seriam apartamentos para prestações em torno de 400 reais, ficando os de valores menores para terrenos mais distantes, que seriam dotados de meios de transporte coletivo assegurado. Um programa de um milhão de unidades populares desafogaria Rio, BH, Brasília, Salvador e Recife, em cinco anos.
Cada casa ocupada corresponderia a uma habitação favelada abatida, e as favelas de porte médio seriam removidas integralmente. Ao lado deste trabalho, um programa de melhoria das condições de habitação, saneamento e terras agricultáveis poderia deslocar, voluntariamente, parte da população oriunda do interior de volta às suas origens. Afinal, fugiram da seca e do desemprego.
A prova de que o uso inteligente da adversidade dá certo é o Projeto Nilo Coelho, em Pernambuco, hoje a área mais rentável de nossa fruticultura. Neste caso, no lugar da transposição de acerto duvidoso, as margens do São Francisco se tornariam verdadeiros pomares e oásis de prosperidade. Seria dimensionar o que o governo de Minas e a Vale já estão fazendo em Pirapora, com a introdução da irrigação em larga escala.
Planejamento, choque de gestão pública, modernidade e autoridade são o que o Brasil precisa para resolver a questão social, combater a marginalidade, integrar milhões de famílias sofridas. Bastava gastar melhor os recursos até aqui destinados para a farsa denominada de “reforma agrária”, cujos assentamentos são, em sua maioria, improdutivos e os gastos desviados para a agitação política, revolucionária, quando não criminosa.
Triste a constatação na leitura das opiniões, que tenha gente com a coragem de afirmar, e outros de divulgar, teses como as de que se poderia “desapropriar” áreas centrais, inclusive clubes desportivos ou sociais, para alojar a população de baixa renda. Em todo mundo, em todos os tempos, os menos favorecidos moraram longe e não seria agora que se inverteria este quadro. Morar longe, mas com transportes e serviços eficientes do Estado na saúde, educação e segurança pública, é claro.
Esse aspecto é mais um da vida brasileira que estava sendo bem encaminhada e os descaminhos da redemocratização inter-rompeu, pela volta de velhas práticas do clientelismo político e pelo discurso ideológico boboca. Conservador, disse alguém recentemente, é quem conserva o bom e reforma o negativo. No Brasil, entenderam errado e resolveram desfazer o que estava correto. Uma pena!!! |