A greve dos Correios, seguida pela dos bancos e as ameaças para o próximo mês do setor de energia mostram que o sindicalismo selvagem está de volta. Infelizmente, acobertado pela omissão da Justiça do Trabalho, sempre lenta, e na tolerância patronal. No Brasil, greve é sinal de férias remuneradas, uma vez que os dias parados não são descontados e muito menos compensados nas férias.
Esse é o motivo pelo qual não recebemos investimentos de indústrias geradoras de empregos, pois trabalhar no Brasil é sinal de dor de cabeça. Exceto no especulativo mercado financeiro, na busca de juros elevados e no financiamento das grandes corporações consolidadas e que resistem a esta legislação trabalhista ultrapassada, ao empregador acuado e à falta de garantias a quem quer trabalhar.
Não podemos continuar a conviver com estes dois países: o que trabalha, que vence as crises, e o governo de duas caras. A da tolerância com a baderna rural e urbana, a que gasta demais, a que se mete na política de outros países, a que entrega dois desportistas que buscavam a liberdade e liberta um assassino condenado em país democrático. A outra, a do governo do presidente com charme, que procura conter radicais, que tem uma base política plural e que obtém bons resultados na macroeconomia. Não existe necessidade desse Brasil do erro, do atraso. Nada justifica a aberração de uma convicção de terceiro mundo.
No mundo contemporâneo, o emprego é o maior patrimônio do trabalhador, enquanto o aumento salarial chega a ser detalhe. E convenhamos que os empregados dos Correios ganham muito bem, são assistidos desde o uniforme ao transporte, além da alimentação e da proteção à saúde. E os bancários trabalham em ambientes saudáveis, em horário de seis horas, garantidos também por outros benefícios.
Não se justifica que a população, desde os trabalhadores aos empresários, fique prejudicada com greves demoradas, configurando a falta de autoridade, de uns, e de coragem, de outros. Certamente, os grevistas não deixaram de receber seus salários do mês em que não trabalharam por completo.
A filosofia da covardia, da postura acovardada, é que pode levar a um clima de caos e à perda de controle. A sociedade democrática e os direitos do cidadão têm limite, sim. Vão até aonde ferem a normalidade da vida dos outros. E as empresas prestadoras de serviços, grandes corporações da energia e das telecomunicações, por exemplo, e as redes de varejistas que vendem a crédito querem receber suas contas em dia.
Não se percebe que o up-grade de que decessitamos é o da confiabilidade, da seriedade e da responsabilidade. O que se passa nos aproxima mais dos nossos sofridos irmãos africanos, do que dos que vivem, labutam, no mundo mais avançado.
Quem paga a conta da demagogia é sempre o mais fraco. Uma pena!!!
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