MERCADOS E LIÇÕES DE VIDA
A explicação do que tem acontecido ao capitalismo mundial pode ultrapassar o que tem sido abordado por especialistas do Brasil e de outros países. O fenômeno da globalização e do surto do crescimento das atividades econômicas, do comércio e do consumo alteraram muito os critérios de gerenciamento das empresas. Inclusive (e, talvez, principalmente) do mercado financeiro.
O empresário, empreendedor, não é formado na vida acadêmica – embora, hoje, um mínimo de preparo seja quase que indispensável. Mas o empreendedor sempre foi o homem de sensibilidade, de habilidade, criatividade, dedicação e muito trabalho. Os executivos eram formados dentro das empresas, especialmente nas maiores.
Comecei minha vida no antigo Banco Nacional, fruto da visão e liderança de José de Magalhães Pinto, que cresceu com o talento do sobrinho José Luiz Magalhães Lins, o trabalho dos filhos e uma equipe dedicada e correta formada na própria instituição. Quando uma divisão entre os herdeiros e o primo que era o principal executivo saiu, com parte da equipe, ocorreu a busca por profissionais no mercado. O fato abriu as portas para a crise que levou ao fechamento da empresa que modernizou o sistema bancário nacional, com novas idéias, novas técnicas e novas políticas.
As corretoras de valores, que se tornaram os bancos de investimento de tanto sucesso, foram sempre comandadas por seus acionistas controladores. Não é à toa que a turma do campo há muito, diz que “o que engorda o boi é o olho do dono”.
O tempo passou, as empresas cresceram, ganharam escala mundial e as famílias que controlavam os maiores bancos, em todo mundo, foram encostando os acionistas. Ao mesmo tempo, abriram caminho para os que passaram a ganhar participações em lucros, sem responsabilidades nos prejuízos. Foi o início, mundial, da jogatina e da fraude, do roubo aos acionistas e aos investidores. No Brasil, em Wall Street, na City. Até na Suíça, onde os antigos bancos gestores de fortunas de todo o mundo começaram a vender papéis de liquidação duvidosa, lesando, muitas vezes, clientes indefesos que buscaram nos Alpes o sigilo e a segurança. Uma turma que queria fazer fortuna antes dos trinta.
Esse tema me ocorre quando vejo que o país perdeu este ano gente que sempre olhou pelos seus negócios e muito fez pelo Brasil, como Gilberto Faria, de Minas, Baby Monteiro de Carvalho, do Rio, e Olavo Setúbal, de São Paulo.
Em paralelo, vejo também o sucesso, comemorado com uma festa que reuniu o que de melhor existe no Rio de Janeiro, dos 40 anos do Grupo Abolição, de Paulo Simões. Este, um incansável trabalhador desde a mocidade, líder de classe, construiu um pequeno império comercial, com mais de 1.200 empregados e que, hoje, conta com a ajuda de seus filhos e sobrinhos. Todos criados na empresa, além de terem formação acadêmica de primeira linha. Está explicado o sucesso e o prestigio. O empresário não pode nem deve ser substituído pelo executivo, mas sim agirem juntos na gestão dos negócios.
A gestão moderna, com a presença de técnicos de alto nível, não pode excluir os acionistas controladores, os homens formados nas empresas. Nas estatais brasileiras de sucesso, por exemplo, mesmo que com boas diretorias, são sólidas e vitoriosas pelos quadros formados em décadas de experiência e dedicação.
Uma avaliação a ser pensada a partir de outros exemplos de sucesso. Tais como: a Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez, os bancos Itaú, Mercantil do Brasil, BMG, Alfa, as indústrias Coteminas, Gerdau, Slaviero e Klabin, entre outras geridas por profissionais, mas com a presença ativa dos controladores e quase sempre privilegiando os homens formados dentro destas empresas nos cargos executivos.
Está provado que o pessoal não pode correr solto.
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