AS OPORTUNIDADES BRASIL-PORTUGAL

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O Brasil continua a ser um país com coisas absolutamente inexplicáveis. Ao mesmo tempo em que os brasileiros e portugueses se integram, com investimentos de monta nossos lá (Itaú, Odebrecht-Andrade, Banco do Brasil e outros) e deles aqui (EDP, Portugal Telecom, Grupo Espírito Santo e TAP, que oferece uma impressionante oferta de quase dez voos por dia), os governos e as entidades empresariais de maior dimensão ignoram o potencial de expansão dos negócios e das oportunidades. A mais, nós, que tradicionalmente acolhemos uma comunidade portuguesa expressiva, temos hoje mais de cem mil brasileiros trabalhando em Portugal.

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AS OPORTUNIDADES BRASIL-PORTUGAL

        O Brasil continua a ser um país com coisas absolutamente inexplicáveis. Ao mesmo tempo em que os brasileiros e portugueses se integram, com investimentos de monta nossos lá (Itaú, Odebrecht-Andrade, Banco do Brasil e outros) e deles aqui (EDP, Portugal Telecom, Grupo Espírito Santo e TAP, que oferece uma impressionante oferta de quase dez voos por dia), os governos e as entidades empresariais de maior dimensão ignoram o potencial de expansão dos negócios e das oportunidades. A mais, nós que tradicionalmente acolhemos uma comunidade portuguesa expressiva, temos hoje mais de cem mil brasileiros trabalhando em Portugal.

       Os governos FHC e Lula praticamente ignoraram a grande criação CPLP, sonho de José Aparecido de Oliveira que os presidentes Mário Soares e Itamar Franco transformaram em realidade. Angola e Moçambique oferecem grandes oportunidades, algumas já aproveitadas por empresas brasileiras. Mas muito pouco do potencial do rico território, vivendo hoje dias de maior tranquilidade política e buscando organizar e disciplinar o Estado.

      Conversando com o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Portugal, de Brasília, Fernando Brites, ouvi a observação de que os “aviões da TAP viajam de barriga vazia”. A expressão faz alusão à falta de uma ação dos governos e dos empresários para se obter uma tarifa convidativa para usar destes espaços disponíveis, a fim de aumentar o comércio entre os dois países. As frutas brasileiras, que seguem por via aérea e chegam ao comércio português, por exemplo, o fazem via Alemanha.

     Portugal, de certa maneira, já manifestou seu interesse em ver estas relações passarem a um estágio mais pragmático ao ter nos dois principais consulados, Rio e São Paulo, diplomatas no nível de embaixadores. Além de enviar a Brasília representantes do porte dos dois últimos – Seixas da Costa, hoje em Paris, e o atual João Salgueiro, que vem de Nova York, da ONU.

      Falta quem coordene um trabalho que envolva produtos que comportem o transporte aéreo e com mercado certo entre os consumidores dos dois países. Afinal, hoje, a pauta comercial movimenta perto de dois bilhões de dólares, com poucos produtos, como o petróleo, daqui para lá, e os tradicionais vinhos, azeites e bacalhau, de lá para cá. Convenhamos que, pela diversificação de produtos de boa aceitação nos dois países, chega a ser constrangedor.

     Os produtos de alta tecnologia ou bom apelo de consumo poderiam aumentar em 20 ou 30% o movimento, com repercussão relativa no social, no emprego, muito maior do que os valores envolvidos. Afinal, hoje, as empresas médias sofrem tanto lá como cá. Além de barreiras ridículas, que dificultam a circulação de jornais e revistas entre os dois países, o que, inclusive, já ocorreu em termos significativos há décadas. Lembro-me de ter em quase todas as bancas de Lisboa o jornal O Globo, com uma tarja vermelha e verde no alto, de edição portuguesa. Atualmente, estamos limitados a Veja.

     Colocar, por exemplo, dez mil barris de etanol por dia no mercado português, para misturar na gasolina e no diesel, seria medida de curto prazo e baixos investimentos. Colocaríamos nosso álcool, preferencialmente o nordestino que está mais próximo, e o consumidor português teria os ganhos no preço e na questão ambiental.

     A mais, Portugal pode ser a plataforma de armazenamento de produtos brasileiros para venda a União Europeia, com uma nova versão dos armazéns alfandegados aqui existentes. Como, aliás, já lembrou Antonio Bustorff, que preside a Câmara de Comércio Portugal-Brasil.

    Essas considerações sobre o óbvio dão conta do quanto estamos ainda despreparados para o grande salto. Mas faltam iniciativas simples, de governos e até mesmo do meio empresarial.


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