TURISMO, SAÚDE e CULTURA
Atualmente, é cada vez maior o número de academias. Não só nas grandes e médias cidades, mas até no interior do país, onde os produtos naturais ganham mercado. O consumidor busca uma alimentação mais saudável. Mesmo assim, alguns fatos chamam a atenção e são verdadeiramente estranhos.
Dos anos 20 ao final dos anos 60, as estações de águas construíram uma infra-estrutura hoteleira formidável, especialmente as mineiras e as paulistas. Infelizmente, foram abandonadas, embora continuem a possuir fontes de qualidades inequívocas e clima de excelência.
Nada poderia justificar esse abandono. Araxá, graças ao seu fantástico hotel, modernizado, ainda mantém uma certa ocupação, fruto da gestão privada dinâmica e eficiente. Mas poderia ser um pólo mais abrangente. O chamado circuito das águas – São Lourenço-Caxambu-Cambuquira-Lambari –, embora mantenha uma rede hoteleira com qualidade, excelentes parques e bons acessos, estão muito aquém do esperado. No passado, o mínimo que tinham como freqüentadores eram presidentes, como Getúlio Vargas. Poços de Caldas, hoje, é tudo, menos estação de águas.
No lado paulista, Lindóia e Águas da Prata viraram atração turística de classe média baixa, de excursões e colônias de férias. No estado do Rio, Salutaris, em Paraíba do Sul, nem engarrafa mais sua tradicional água. Caldas Quentes, em Goiás, e Caldas da Rainha, em Santa Catarina, são exceções em termos de prestígio e movimento.
O Ministério do Turismo não parece existir, pelo menos não em nível doméstico. Não tem força para reivindicar aeroportos decentes, rotas aéreas racionais, financiamentos para hotelaria e promoção para destinos do litoral, históricos ou termais. Tudo depende da vontade dos agentes e do próprio crescimento da economia. No Espírito Santo, nem se fala mais em suas areias monazíticas.
No caso das Águas mineiras, a falta de uma promoção nacional e internacional por parte dos governos do estado e da União chega a ser gritante na medida em que as fontes, como as do Parque de Caxambu, são medicinais de comprovada eficiência. As fontes Dona Leopoldina, Duque de Saxe, Mayrink, Princesa Isabel, entre outras, são comparáveis as melhores da Europa, onde o hábito da estação de águas não passou de moda. Muito pelo contrário. Portugal tem o Bussaco, Monfurtinho, Vimeiro e Pedras Salgadas, com movimento o ano inteiro.
O circuito histórico de Minas, Rio, Nordeste e Sul não passam de leves promessas. Em Minas, o projeto vitorioso da Estrada Real, unido governo e iniciativa privada mostra o quanto a criatividade oferece resultados. Mas, mesmo assim, a promoção internacional, que deveria ter a presença da Embratur em parceria com agentes como empresas de aviação, redes hoteleiras, governos municipais e estaduais – não tem nem projeto e muito menos planejamento. Até na Bahia, referência de recuperação de espaço histórico, com a obra de ACM no Pelourinho, as praias atraem mais, assim como no complexo Olinda-Recife. São Luiz espera umas ligações aéreas internacionais, que lhe abriria portas ao mercado mundial.
A hotelaria oferece bons resultados nos grandes centros de atividade econômica, no chamado turismo de negócios. Ainda assim, temos um imenso mercado a explorar e que é esquecido ou escondido pelo bons números globais. Levar progresso ao interior, pela via do turismo, do esporte e da saúde, seria mais do que oportuno. E evidentemente muito viável.
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