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Aristóteles Drummond   

 

PIOR DO QUE A CRISE

                  

O Brasil parece que terá um ano complicado. Ainda que, na teoria, tenha tudo para aproveitar as vantagens que a conjuntura mundial lhe oferece em função de uma menor exposição à crise.

Uma pena que o governo não possua essa visão da situação. Por isso, não toma providências para evitar o que está ao seu alcance no que pode comprometer nossa imagem e nossa realidade positiva.

Neste momento, mais do que nunca, a credibilidade tem valor, agrega peso político interno e externo. E o governo vem num inexplicável suceder de erros que nos deixa em situação  desconfortável nos foros internacionais. A questão do terrorista italiano – que fez reacender o constrangedor  antecedente dos atletas cubanos e do militante das FARC – nos coloca aos olhos do mundo democrático e civilizado como refúgio, não mais de mafiosos ou assaltantes de trens, mas, pior, de protetores de terroristas, cuja ação atual ou do passado causa repulsa a todos os povos.

No caso da Itália, exemplar democracia, que superou o radicalismo, o crime organizado e a corrupção nos últimos 30 anos, nossa postura se torna efetivamente comprometedora. Admite-se que alguns dos integrantes do governo, naqueles anos 60, estivessem equivocados  quanto a maneira de se defender ideais, mas permanecer no equívoco é mais do que preocupante. É inadmissível. Cabe lembrar que a Itália não fez como o Brasil, que anistiou quem sequestrou e matou. Daí, o apoio de toda União Européia à indignação do governo italiano, cujas vitórias eleitorais tanto frustram a esquerda internacional.

Quando mais precisamos manter o apoio do investidor (hoje, uma peça rara), deixamos correr solto movimentos internos  de desafiam a lei e a ordem, como os casos da tolerância em relação ao MST e à Via Campesina. No momento que nosso formidável agronegócio está sofrendo com a crise e com a baixa dos preços internacionais, loucuras ocorrem no interior do Brasil.  E até uma legislação infeliz criou uma “reserva legal” em propriedades privadas, a serem preservadas de uso agrícola, sem nenhum tipo de indenização.

Quem vive a realidade do interior, inclusive parlamentares, costuma comentar, rindo, quando deveria chorar, esta nova criação incompreensível  que se denomina “quilombola”. Isso é mais trágico, até pelo seu ridículo, do que cômico.

A ponte que atravessa o Rio São Francisco, na divisa de  Sergipe e Alagoas, já quase na sua foz, choca pela evidência do assoreamento por que passa o rio. Este sofre um processo de esvaziamento para chegar a centenas de quilômetros, gastando energia e perdendo volume na sua evaporação. Muito mais razoável ampliar, com 10% dos recursos alocados para a aventura, o Projeto Nilo Coelho, que criou um oásis de prosperidade no Nordeste brasileiro. Hoje, a presença estatal na área é nula, até na manutenção da estrada que liga Petrolina a Recife, que está em petição de miséria, encarecendo custos de transportes.

O Brasil não precisa enfrentar apenas a crise que desemprega, que encolhe a produção, que reduz ganhos. Necessita acabar com a maneira de pensar de parte de sua elite dirigente, que é tolerante com a baderna, indiferente ao homem que produz, insensível até à realidade imposta pela natureza. Esta parcela das forças políticas acha que dinheiro público depende da capacidade da Casa da Moeda em rodar notas, e não da sociedade trabalhar, produzir e gerar riqueza. Dessa maneira, apesar de tão boas possibilidades, podemos regredir na irresponsabilidade dos déficits, das emissões e do populismo. Infelizmente, nossa vizinhança anda pródiga em maus exemplos.

 

 
 

 

 

     
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