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Nem tudo está perdido quando o idealismo e o patriotismo sobrevivem, na defesa da pátria, de seus valores e suas referências históricas. São atitudes desinteressadas, que, certamente, não passam despercebidas às mentes mais sadias de nossa juventude.
Em Minas, o coronel reformado do Exército Adalberto Menezes vem empreendendo uma luta obstinada pela criação de um verdadeiro santuário cívico em homenagem ao Patrono da Nação, Tiradentes, na cidade de Ritápolis, local onde nasceu o mártir da Inconfidência, que pertencia, na ocasião, a São José Del Rei, hoje Tiradentes. A ideia pode se tornar realidade ainda no Governo Aécio Neves, cujas origens estão naquela região, na cidade que viu nascer e guarda os restos mortais de seu avô Tancredo Neves. Cabe sempre lembrar que o Regimento de Infantaria de São João Del Rei foi, depois do Regimento Sampaio do Rio, o que mais contribuiu para a Força Expedicionária Brasileira na II Guerra Mundial.
O culto aos inconfidentes é antigo na região, onde nasceu boa parte deles, incluindo Barbacena. Lembro que na minha mocidade conheci o coronel Ruben Massena, mineiro da cidade dos Andradas e Bias, que editava a Revista de Engenharia Militar, cultora dos valores cívicos. Cresci nesse meio, acompanhando meu avô e grande guia Augusto de Lima Junior, a quem devemos uma série de iniciativas vitoriosas. Entre elas: o Museu da Inconfidência, o Repatriamento dos Restos Mortais dos Inconfidentes Mortos no Degredo, que obteve junto ao presidente Getúlio Vargas, a Medalha da Inconfidência, que sugeriu ao governador JK, e o decreto de Tiradentes Patrono da Nação, que obteve do presidente Castelo Branco.
É mais que positiva a criação desse centro de referência à liberdade, à democracia e aos grandes exemplos da nacionalidade, em região que já é visitada por brasileiros que percorrem a Estrada Real, projeto consagrado do Governo de Minas, as cidades históricas como Tiradentes e centros de arte popular que se espalham na região. Em Coronel Chaves , por exemplo, prospera atividades voltadas para esculturas em pedra, com fins decorativos. Do local, poderia partir estátuas de grandes dimensões dos inconfidentes, que povoariam a área onde estaria instalado o Parque de exaltação a um brasileiro exemplar.
Neste ano do centenário da Academia Mineira de Letras, nada mais natural que o governador do Estado determinasse os estudos para a criação do Parque Cívico, uma vez que o movimento contou com o que havia de importante na vida intelectual do Brasil e de Minas Gerais. O local poderia ter escolas do Sistema S para a formação de mão-de-obra voltada para o restauro, a pintura, a escultura e a marcenaria, facilitando a manutenção do imenso patrimônio artístico que se espalha nas montanhas e nos vales mineiros. E um centro de referência histórica do século XVIII, em que o ouro e os diamantes de Minas transformaram a vida do Brasil e da Europa, especialmente Portugal e Inglaterra.
A receptividade do culto a Tiradentes em nossos meios militares é digna de registro, sendo o mesmo patrono de todas as policias militares do Brasil e não apenas da mineira. Sobre os inconfidentes e sobre o movimento muito já se escreveu, mas falta o ponto de referência para a chama de seus ideais, da presença mineira desde então nas lutas pela liberdade e pela soberania nacional. Foi a semente da construção de nossa pátria, que o destino acabou por encaminhar a realização dos sonhos daqueles homens pelas mãos do filho e do neto da Rainha que determinou o enforcamento de Tiradentes e o degredo de seus companheiros.
Em momento em que alguns estão desanimados com o futuro do Brasil, não como potência econômica, mas como terra com princípios éticos, morais, intelectuais e de devotamento ao bem comum, seria conveniente levantar esta bandeira. Esta, aliás, tem sido a luta deste admirável oficial de nossa força terrestre, que ilustra o Instituto Histórico de Minas e outras entidades de convívio acadêmico e cívico. Que a ideia prospere! |