O FENÔMENO ITAMAR FRANCO

ETERNA VIGILÂNCIA

Os pessedistas de origem, sempre olharam para a UDN com certa admiração pelo peso intelectual de boa parte de seus membros. Nos anos da Constituição de 46, a UDN era composta por nomes como Afonso Arinos, Bilac Pinto, Carlos Lacerda, Raimundo Padilha, Oscar Corrêa e outros tantos que davam brilho ao debate político. E Carlos Lacerda, sempre vendo no getulismo articulações golpistas, deu a seu jornal, Tribuna da Imprensa, a divisa “O Preço da Liberdade é a Eterna Vigilância”.

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ETERNA VIGILÂNCIA

        Os pessedistas de origem, sempre olharam para a UDN com certa admiração pelo
peso intelectual de boa parte de seus membros. Nos anos da Constituição de 46, a UDN era composta por nomes como Afonso Arinos, Bilac Pinto, Carlos Lacerda, Raimundo Padilha, Oscar Corrêa e outros tantos que davam brilho ao debate político. E Carlos Lacerda, sempre vendo no getulismo articulações golpistas, deu a seu jornal, Tribuna da Imprensa, a divisa “O Preço da Liberdade é a Eterna Vigilância”.

Logo depois, em 64, sentimos pela primeira vez a força da frase repetida por Lacerda, uma vez que, se não fosse a vigilância democrática – de toda sociedade e não apenas da UDN, é claro –, teríamos mergulhado no caos ou na guerra civil. Agora, decorridos tantos anos, a ideia da vigilância democrática, na defesa da liberdade e dos princípios da ética e da liberdade majoritária em nossa gente, volta ser de boa prudência.

A simpatia, o charme e a sinceridade do presidente Lula, que encanta boa parte dos brasileiros – não apenas entre os listados no Bolsa Família, como gosta de provocar a oposição –, faz desviar a atenção da sociedade, diante de ameaças reais a uma democracia verdadeira e fraterna como a que vínhamos construindo, desde a anistia proposta pelo presidente João Figueiredo. Certa bonança na economia também tem sido outro fator a anestesiar o sentimento político e ideológico de nossos empresários e adeptos do liberalismo em outros segmentos da vida nacional. E não devemos esquecer que essa estabilidade é em função de políticas coerentes desde o governo Itamar Franco, que nos deu excelentes ministros na área econômica, como Eliseu Resende, Ciro Gomes e Rubens Ricupero, além do candidato que elegeu, FHC, que nos deu, por sua vez, Pedro Malan. Lula a todos surpreendeu com Palocci, Meirelles e Mantega, embora os gastos
públicos assustem.

A livre empresa vive ameaçada, perseguida, constrangida e até mesmo acuada por uma máquina monumental e diversificada. Todos os setores da atividade econômica sofrem por falta de segurança no comportamento de setores oficiais, inclusive agencias reguladoras, parecem não acreditarem no papel da empresa privada no processo de desenvolvimento econômico e, sobretudo, social do país.

Os planos de saúde, que protegem um quarto da população brasileira, sofrem nos Procons, nos juizados especiais, na intervenção da ANVISA. Os homens que tocam o agronegócio são ameaçados pelo impune MST e outros movimentos que usam da violência e são encarados preconceituosamente pelos ambientalistas que ignoram a importância da atividade na economia nacional. As obras públicas, a começar pelo PAC, são alvo das mais descabidas exigências. As usinas estão sendo tocadas sob permanente ameaça. Estradas vitais impedidas, desde a Manaus-Porto Velho, no Norte, ao Arco Rodoviário do Rio, que não sai do papel. E não se propõe uma legislação que as proteja em nome do interesse nacional, como concentrar no STJ, e com prazos especiais de apreciação, toda e qualquer medida judicial que possa parar com estas e outras obras estratégicas para o país. Não há justificava para demora no lançamento do projeto, aprovado em definitivo pelo Meio Ambiente, de Belo Monte, um dos mais atrativos do mundo em termos de hidroeletricidade. O fisco, por sua vez, está cada vez mais guloso, imprevisível e arrogante.

É tempo de vigilância. As forças do atraso, cujo símbolo maior é a atitude passiva diante do que acontece na Venezuela, se não de aplauso velado, estão muito soltas. Precisam ser combatidas. E queremos ter o presidente Lula do lado positivo; não o tolerante com os que mais atrapalham do que ajudam seu governo.

EM TEMPO: a vigilância se presta para a defesa da liberdade, da propriedade e também do chamado interesse publico, como fez recentemente o Governador Sergio Cabral na questão do pré-sal. Defendeu o mandato recebido e  certamente cresceu na admiração e no respeito do Presidente de quem é aliado.

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