OPORTUNIDADES PERDIDAS
Governo e Congresso devem estar conscientes do erro que foi a demora na votação de leis importantes na área tributária e trabalhista, por exemplo, nesses últimos anos de bonança na economia. Agora, tudo fica mais complicado e vem a confirmar a frase de Roberto Campos de que “o Brasil não perde a oportunidade de perder oportunidades”.
Os temas econômicos passaram a ser tratados – e divulgados pelas mais altas autoridades – com uma leviandade impressionante, que desgasta a imagem do governo e do país, aqui e no exterior. A começar pelas primeiras declarações de que a crise não nos atingiria, como se o Brasil tivesse mudado de planeta.
Mesmo a questão do óleo na camada do “pré-sal” está sendo discutida como se fosse escalação de uma equipe de futebol. Ora, este petróleo é caro, precisa de um preço de mercado de, no mínimo, 70 dólares o barril e leva muitos anos para começar a ser extraído. Ou seja, depende de um dinheiro que o Brasil não tem e os mercados internacionais deixaram de ter. Demora tanto que o hidrogênio acaba se tornando viável. Hoje, já circula na Europa um carro fabricado no Japão, modelo semelhante aos que estão no mercado, apenas movido a hidrogênio. O custo é de um milhão de euros, mas é claro que, com mais um pouco, o preço cairá em função de avanços na tecnologia. Daqui a dez anos, o petróleo pode valer os 15 dólares dos anos 90.
O que temos de fazer é agir com inteligência, habilidade e coragem. A crise não será passageira. E não adianta medidas paliativas. O Brasil está diante da grande prova de sua maturidade como economia estável e responsável. Pragmatismo, e não proselitismo, deve ser a orientação.
O ex-ministro Bernardo Cabral, que tem uma das maiores experiências da vida pública nacional, já sugeriu que o presidente amplie seu leque de consultas, ouvindo nomes que ocuparam cargos na área da economia recentemente. Pedro Malan, Ernane Galvêas, Langoni, Ricupero, Armínio Fraga e outros mais para debater algumas questões polêmicas.
Agora, o governo deve valorizar as equipes que, desde Itamar Franco, toca nossa economia. Também não pode esquecer de pedir ao Judiciário apressamento na questão que envolve Antonio Palocci, pois este é, com Henrique Meirelles, o maior quadro do governo Lula e precisa voltar a ativa. Já a oposição deve ter proposta e, se possível, candidato com habilidade suficiente para garantir uma transição pós-crise, sem contestar os esforços da atual administração. No mais, é o governo mostrar vontade política de acertar. E poderia começar por defender os interesses nacionais agredidos em países vizinhos.
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