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PESQUISAS PARA PRINCIANTES

As pesquisas eleitorais com mais de 120 dias das eleições que foram confirmadas são casos raríssimos em nossa memória eleitoral. Os nomes mais conhecidos saem sempre na frente, os que estão mais em evidência. Depois começam a cair com o surgimento de novos candidatos, com a diminuição dos indecisos e com a avaliação do grau de rejeição. Por isso, é preciso saber ler uma pesquisa.

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PESQUISAS PARA PRINCIANTES

 

          As pesquisas eleitorais com mais de 120 dias das eleições que foram confirmadas são casos raríssimos em nossa memória eleitoral. Os nomes mais conhecidos saem sempre na frente, os que estão mais em evidência. Depois começam a cair com o surgimento de novos candidatos, com a diminuição dos indecisos e com a avaliação do grau de rejeição. Por isso, é preciso saber ler uma pesquisa.

          Nas eleições para o Senado no Rio, em 98, Roberto Campos aparecia longe de três outros candidatos. Na segunda pesquisa, resolveu desistir. Foi aí que fomos conversar com uma grande autoridade no assunto. Este mostrou os números da pesquisa a Roberto e o convenceu que, se não ganhasse, chegaria em segundo. Foi o que ocorreu, pois perdeu por 1% dos votos. Mesmo assim porque o quarto colocado na disputa dispunha de muito dinheiro e jogou pesado nas últimas semanas, tentando evitar o vexame por que passou. Conseguiu chegar, por pouco, num longínquo terceiro lugar. Dois anos depois, tentou uma eleição municipal e renunciou ao segundo turno. Mas acrescentou à sua longa lista de maus serviços prestados ao Brasil o de haver derrotado, por capricho e ideologia o grande Roberto Campos.

          Essas observações são a propósito da fragilidade das pesquisas que apontam para um favoritismo do governador de São Paulo, José Serra. Ele é o nome mais em evidência, foi candidato a presidente, prefeito e governador nos últimos sete anos. Tem uma mídia invejável e São Paulo representa cerca de 30% do eleitorado nacional. Não se examinou seus índices de rejeição e não se avaliou suas ações na Constituinte – sempre contra o Rio de Janeiro o Nordeste e, em especial, o Amazonas, ao combater a Zona Franca, que é quase 70% da economia da região. E muito menos se observa r seu trânsito político em outros partidos que não o seu e, mesmo assim restrito  a regional paulista.

          Parece claro que não manterá esta posição, apesar da mesma vir respaldada no fato de ser uma alternativa de poder. Afinal, o presidente Lula é popular, mas seu governo sofre restrições e a chamada base aliada não se sentiria confortável com os nomes anunciados pelo PT. Mas daí  apoiarem o sisudo Serra, agora mais sorridente, a distância é grande.

         Quem se lembrar da eleição de 89 vai verificar que Collor cresceu e venceu na reta final. Quem se recordar de 94 verá que Lula saiu na frente e acabou derrotado pelo candidato de Itamar Franco. Em 98, foi a vergonha da re-eleição. Mas 2002 mostrou o peso da rejeição e Lula venceu com imensa facilidade. Em 2006, foi re-eleito, pois não houve união em torno do candidato Alkmin, sabotado em seu próprio partido, como o foi na disputa municipal paulistana.

        O PSDB pode marchar para o erro, pela força dos apoios em São Paulo ao governador. Mas, na verdade, estará perdendo uma chance de vencer e mudar o Brasil, numa renovação  para valer.

         O ex-presidente FHC terá a satisfação de ver repetida uma disputa entre nomes de esquerda, como costuma lembrar em suas conversas, com grande orgulho. E até nisto Alkmin foi derrotado por nunca ter sido de esquerda e ter começado na ARENA em sua cidade.

        O centro-direita que forma uma maioria silenciosa, mas sábia, repetirá o voto de 2002 e preferirá o adversário claro, nítido, mesmo que com riscos, a quem procura ocultar convicções antigas, que as mudanças do mundo não alteraram. Podemos entrar numa tempestade política grave, pois, se vencer, Serra não terá maioria no Congresso e será capaz até de perder alguns que venham a ser eleitos na sua chapa. Quem arriscar e viver verá!

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