A NOVA CLASSE - ARISTOTELES DRUMMOND

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Aristóteles Drummond   

A NOVA CLASSE

                 O desenvolvimento econômico e social que o mundo vive desde os anos 80 foi a verdadeira e mais profunda revolução dos últimos séculos. E é bom lembrar que isso é fruto do modelo moderno criado pelo liberalismo de Ronald Reagan e Margareth Thatcher  e, depois, com a ajuda de João Paulo II,  pela derrubada do muro. Tal fato acabou com 70 anos de opressão na Europa Oriental.

                 Nesses quase 30 anos, a economia se expandiu como nunca. Já apresentando, inclusive, bons dados na democratização da renda, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, exceto na infeliz África. As crises continuam a acontecer, mas a força do progresso e da melhor distribuição são fatos que vieram para ficar.

                  Acontece que, com os meios de comunicação atingindo quase todo o planeta, a elevação do conhecimento, fez surgir uma nova classe econômica, social e cultural. Infelizmente, pior na qualidade no que toca a princípios éticos, morais e espirituais. O número de ateus e agnósticos cresceu; a família teve seus princípios enfraquecimentos; a moral já não é a mesma. A droga e a exacerbação do sexo são evidências de uma nova sociedade. Há quem defenda a liberdade para o comércio e consumo de drogas, a liberação total das tendências sexuais. Nas classes médias, até o casamento formal deixou de ser essencial para a formação de uma família. O consumismo provoca o egoísmo e a competição fútil e tola.

                     O enfraquecimento da família e dos princípios de educação formal, dos chamados “bons modos”, nos leva a um mundo mais barulhento, com maiores conflitos e com menos exigência estética. A mídia, infelizmente, gosta de exaltar as atitudes mais exóticas e essa nova classe (sem classe) se impõe pelo dinheiro ou a partir do poder político que vem conquistando em todos os países democráticos. O que torna, sem dúvida, a democracia moderna inferior a dos anos 50. A começar pelo nível intelectual e moral de seus protagonistas.

                     A administração pública, como a privada, já não oferece as normas de comportamento e compostura de algumas décadas. E algo terá de ser feito para reverter este quadro. Do contrário, estaremos sob a ameaça de a riqueza que começa a circular e ser melhor distribuída não venha a representar ganhos em cultura, em qualidade de vida sadia. Este é o grande desafio.

                         Os mais velhos e os mais educados ficam chocados, por exemplo, com o palavreado chulo que vem sendo usual entre autoridades públicas, além de uma falta de gosto no vestir e no se apresentar. No passado recente não se admitia um professor universitário de bermudas e chinelos na sala de aula, alunos vestidos da mesma maneira, em desrespeito a um local que já foi tido como sagrado. Nem nos cultos religiosos os celulares são desligados, as mulheres e idosos já não têm preferência natural nos transportes públicos, fazendo com que locais sejam especificamente determinados por lei  para deficientes, gestantes e outros. Sim, pois, se depender do homem comum,  ficam de pé mesmo. E, apesar do Código Nacional do Trânsito não permitir, nunca se viu um caso de excesso de som em veículos particulares serem coibidos.

                          
Vamos crescer, comemorar os ganhos e as descobertas importantes. Só não podemos é negligenciar no comportamento, na compostura. Especialmente, no decoro no exercício da função pública.

 

 

     
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