O governador de Minas, Aécio Neves, tomou uma iniciativa que não mereceu o devido destaque no noticiário nacional. Ao executar o seu programa de aperfeiçoamento da mão-de-obra mineira para facilitar a captação de novos empreendimentos comerciais, industriais e de turismo, optou por usar da rede existente no sistema “S”, que funciona com competência e produtividade. O SENAC mineiro, por exemplo, é referência no pioneirismo das escolas de turismo e hotelaria.
Além dos resultados objetivos, a orientação do governante ganha relevo por mostrar uma mentalidade moderna na busca de qualidade e não de novos instrumentos de poder e mando público. O governador buscou objetivos e não a engorda da máquina oficial. A isso, deu-se o nome de “choque de gestão”, no primeiro mandato, permitindo os investimentos no segundo, com melhoria na prestação de serviços públicos. O mundo moderno não permite, nem no setor público nem no privado, a figura do “centralizador”, que tudo quer resolver e em tudo quer opinar. Aliás, Negrão de Lima, o grande prefeito e governador do Rio, costumava dizer que governar era montar boas equipes, pois os planos de governo e as grandes obras eram por demais conhecidas. O importante era ter bons auxiliares, confiar e fazer a máquina andar. Político que vive a ansiedade do poder, não sai do gabinete e fica dando plantão é incompetente. No caso mineiro, como nas prefeituras de São Paulo e Rio, vale como referência a geração dos titulares, que chegam à vida pública sem os cacoetes e a as idiossincrasias do passado.
JK, certa vez, vendo, na Manchete, slides das obras da Transamazônica e do início do Projeto Jarí, deu boas gargalhadas. Disse que ele era chamado de louco pelo que fez e, no entanto, não teve um ministro tocador de obras como Mário Andreazza.
Os projetos no Brasil continuam claudicando pelos entraves da burocracia. O presidente Lula tem se esforçado, a ministra Dilma também, mas falta a esta equipe alguém determinado a fazer, a vencer dificuldades e a cobrar responsabilidades.
O PAC está fora do cronograma. Assim como as obras para a Copa de 2014, que precisam de definições ainda este ano. É preciso desalojar estes militantes que não entendem de nada e acabam por comprometer até o presidente, que é detentor da mais alta simpatia popular. Mas esta não sobrevive à estagnação e à frustração das obras que não se iniciam. O presidente deve sinalizar seu empenho e soltar logo Belo Monte e assegurar as obras das estradas do Norte, como Cuiabá - Santarém e Manaus-Porto Velho.
O governo federal deveria mandar alguém a Minas e ver como a via Verde foi feita, noite e dia, e o Centro Administrativo, que já é orgulho dos mineiros e deve estar parcialmente ocupado no final do ano. No Rio, existe um projeto do PAC que anda surpreendentemente, que são as obras do Instituto de Traumatologia e Ortopedia (INTO), na antiga sede do JB. Logo, é possível se vencer barreiras.
Fica visível o constrangimento do presidente diante da ineficiência de alguns de seus companheiros. Mas é preciso vencer e agir com desprendimento. Para valer!
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