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TAMANDARÉ E A REPÚBLICA

Dentro de algumas semanas, comemoraremos mais um aniversário da Batalha Naval de Riachuelo, que marcou a arrancada da Tríplice Aliança para a vitória contra Paraguai. Na ocasião, a Marinha do Brasil, muito naturalmente, fez seu patrono o Almirante Tamandaré – Joaquim Marques Lisboa, cuja data de nascimento, 13 de dezembro é o Dia do Marinheiro.

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Aristóteles Drummond   

 

TAMANDARÉ E A REPÚBLICA

 
                 

        Dentro de algumas semanas, comemoraremos mais um aniversário da Batalha Naval de Riachuelo, que marcou a arrancada da Tríplice Aliança para a vitória contra Paraguai. Na ocasião, a Marinha do Brasil, muito naturalmente, fez seu patrono o Almirante Tamandaré – Joaquim Marques Lisboa, cuja data de nascimento, 13 de dezembro é o Dia do Marinheiro.

        A República nasceu cometendo uma série de erros e injustiças, nas quais se inclui a lei do banimento, o confisco dos bens pessoais (e não da Coroa) da Família Imperial e a mesquinha substituição de nomes de logradouros públicos – felizmente corrigidos poucos anos depois. Até o exemplar Colégio Pedro II passou algum tempo com o nome de Colégio Nacional.

       Os valores do Império sobreviveram, apesar da ação dessa banda lamentável da humanidade – composta por gente recalcada, ressentida, marcada por frustrações, com ressentimentos primários em relação a outros cujo complexo de inferioridade faz julgar melhores, seja pela nascimento, pela educação ou pelo porte. Tivemos, inclusive, um presidente, Afonso Pena, que nunca renegou suas origens monarquistas. Não foi apenas o Barão do Rio Branco que exerceu função ministerial, ostentando o honroso título, mas muitos outros a República teve de acolher pela competência e dedicação à pátria.

        Assim, a Marinha do Brasil, em pleno regime republicano, obteve para o Marquês de Tamandaré o título de Patrono da Armada. Tal honraria foi reconhecimento pelos feitos militares e pelo homem de caráter exemplar, cujo retrato moral se constata em seu testamento, de rara beleza e que deveria ser divulgado não só entre os marinheiros, mas entre todos os brasileiros.

        Sendo a Marinha a mais conservadora de nossas Forças Armadas, com grande tradição de gerações da mesma família abraçando a nobre carreira, pouco se divulga seus feitos. Apesar de serem muitos. Exemplos são: a presença singular na I Guerra Mundial, o papel importante na II Guerra e as responsabilidades na preservação de nossa soberania nas 200 milhas marítimas que nos pertencem desde o Governo Médici e onde estão nossas maiores reservas de petróleo.

         Também é justo se lembrar os oficiais que exerceram funções públicas de relevo com grande devotamento, como os casos dos governadores do antigo Estado do Rio, almirantes Protógenes Guimarães e Amaral Peixoto, o governador da fusão dos estados Guanabara e Rio de Janeiro, Almirante Floriano Faria Lima, assim como Lucio Meira, peça fundamental no Plano de Metas de JK. No período militar, a Marinha emprestou seu ex-ministro Augusto Rademaker para exercer a vice-presidência da República como companheiro de chapa do General Emilio Médici. A energia nuclear no Brasil tem como referência maior o almirante Álvaro Alberto, que, depois de passar a reserva, continuou a servir ao Brasil na presidência da Liga da Defesa Nacional. O atual comandante da Marinha, almirante Soares de Moura Neto, é neto do senador Raul Soares, ilustre político mineiro que exerceu o Ministério da Marinha, na Primeira República.

         A retomada da confiança de nossos jovens nos dirigentes do país, depois de tudo o que tem acontecido nos últimos 25 anos, passa pela exaltação dos grandes símbolos da nacionalidade. Entre estes, o vitorioso de Riachuelo, leal e dedicado ao imperador até o último suspiro, que é exemplo a se destacar.

 

 

     
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