GUIA DA NACIONALIDADE
O Brasil e a História começam a fazer justiça a presença de Getúlio Vargas no comando supremo do país, especialmente nos 15 anos mais conturbados do mundo, no século passado. Devemos a ele – e claro que ao apoio que nunca lhe faltou das Forças Armadas e da sociedade em geral – o Brasil que tivemos, até o governo JK, na arrancada para o desenvolvimento, e o período militar, que nos deu esta formidável infra-estrutura. Vargas, JK e os militares nos garantiram ordem com segurança e desenvolvimento, no momento em que outras nações viviam na discórdia e na bagunça,na crise e, naturalmente, estagnados social e economicamente.
No entanto, na semana que marca mais um aniversário de sua morte trágica e heróica, o personagem é Getúlio Vargas. Ele nos contemplou com as condições para o Brasil mais justo e solidário, através das Leis Trabalhistas que implantou. Evidentemente com lastro na melhor experiência de então: a da Itália, de Mussolini, em que este lançou a proteção ao trabalhador. O detalhe é que não o fez com base em seu passado socialista, mas, sim, na doutrina social da Igreja, inspirada em Leão XIII. Os três períodos referidos se completam em quase tudo. Talvez a exceção fique pelo fato de JK ter conseguido governar com democracia plena – embora políticos da oposição, como Carlos Lacerda, fossem proibidos de aparecer na televisão. E, quando a questão da proteção social completou 20 anos, após a morte de Vargas, com o Funrural, cujos primeiros estudos foram do governo Costa e Silva, mas a implementação, de fato, veio a se verificar no governo do presidente Médici. As Leis Trabalhistas, no entanto, seriam inócuas não fossem os empregos de qualidade gerados a partir de Volta Redonda(CSN) e do processo de industrialização, especialmente no setor automotivo paulista, dos anos JK, e o grande salto em quatro dos cinco governos militares .
Foi ainda Vargas que manteve o Brasil fora dos radicalismos, com traços de violência, de direita e de esquerda, com a criação do Estado Novo, em 37. Na ocasião, o país se encontrava perplexo com a barbaridade do movimento da Intentona Comunista, que sacrificou militares, muitos abatidos por colegas enquanto dormiam em quartéis no Rio, Natal e Recife. Vargas garantiu a paz, a ordem e ainda obteve vantagens para o Brasil, a partir da entrada do país na II Guerra Mundial. E estas não se limitaram apenas a Volta Redonda, mas também em acordos comerciais, que nos garantiu o surgimento dos primeiros grupos industriais de importância, como Matarazzo, Pereira da Silva, e o progresso do setor farmacêutico, assim como na a navegação marítima. Na época, com o Loide e a Costeira, por exemplo, estávamos em situação melhor do que hoje em termos de navios mercantes de bandeira nacional.
O estadista, chamado de ditador, voltou nos braços do povo em 50, depois de ver eleito, na chamada redemocratização, seu antigo ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra. Em seu governo de 30 a 45, contou com colaboradores notáveis pela sabedoria e integridade, como Francisco Campos, Gustavo Capanema, Góis Monteiro, Simões Filho, Salgado Filho, Vicente Rao, Filinto Müller e Oswaldo Aranha. Colocou, no comando de unidades da federação , figuras notáveis como Ernani do Amaral Peixoto, no Rio; Adhemar de Barros -o primeiro grande empreendedor do Brasil-, em São Paulo; Pedro Ernesto, no Distrito Federal; Benedito Valadares, em Minas; Juraci Magalhães, na Bahia; Magalhães Barata, no Pará; entre outros.
Criador da Petrobras, idealizador da Eletrobrás, fundador do BNDES (com Roberto Campos), Getúlio Vargas foi ainda membro da Academia Brasileira de Letras, não apenas pela sua obra consubstanciada em discursos que merecem ser lidos a qualquer tempo, mas como incentivador da cultura e preservador de nosso patrimônio histórico. O governante atendeu a Augusto de Lima Junior -meu avô -nos pedidos de fazer de Ouro Preto Cidade Monumento Nacional, de repatriar os restos mortais dos Inconfidentes e de criar o Museu da Inconfidência.
O Brasil só virará a página do Varguismo quando tivermos progresso com ordem e com justiça social. Só a pretensão delirante pode ensejar os que desejam virar a página da presença de Vargas em nossa história com palavras e não com ações. No mais, ele mora no coração dos brasileiros, especialmente no dos mais humildes, não apenas dos mais velhos, mas a gratidão a figuras como ele – e Princesa Izabel – passam de geração em geração , pela índole boa de nossa gente .
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