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Preocupa a escalada do grevismo no país, com a volta do que se denominou de “sindicalismo selvagem”. São categorias organizadas politicamente, filiadas a milionárias centrais sindicais, que, desprezando o momento grave que vivemos, reivindicam aumentos salariais irreais. E o que se deveria era lutar pelo emprego, isso sim.
O suceder de greves, no setor público, é tratado com displicência. E os dias não descontados, no momento do Brasil disputar o investimento estrangeiro. Não se pode confiar em um país que tolera a banalização do que deveria ser um recurso extremo e por motivos legítimos, quando são muitas as nações que buscam atrair estes mesmos capitais. Já temos uma legislação ultrapassada, que engessa, uma tributação sobre a folha entre as maiores do mundo e, ainda por cima, estamos marchando para ser o paraíso das greves. Parece um caso de ficção para professores de economia política e globalização.
Cedendo aos grevistas, sem descontar os dias parados, com as regalias das estatais, a queda na arrecadação, parece que queremos mesmo é a volta da inflação. Crise se enfrenta com investimentos, com frentes de trabalho, com autoridade e credibilidade. A população fica irritada, especialmente os que mais sofrem com greves em setores vitais, como transportes, saúde e segurança pública, serviços bancários, energia e outros, que, considerados essenciais, eram muito bem regulados em passado próximo de respeito e ordem. Como sempre, quem paga a conta da omissão do setor público, responsável pela ordem, são os mais fracos e mais atingidos pela crise.
No fundo, esse grevismo inconsequente que assistimos é mera decorrência com a tolerância em relação às invasões de prédios públicos e terras particulares. Afinal, vivemos num país em que a Câmara dos Deputados sofre uma depredação filmada e exibida e ninguém é preso e processado. Consta, e foi amplamente noticiado, que o baderneiro-mor, filmado e fotografado, com um histórico de irresponsável agitador, chegou a ser homenageado meses depois do deprimente espetáculo. Uma pena que a televisão não refresque a memória popular re-editando as cenas daquele ato impune de vandalismo. Em São Paulo, a ocupação de uma universidade estadual, apesar de respaldo legal para a desocupação, continuou em mãos dos estudantes amotinados “porque o governador do estado era ex-presidente da UNE”.
Um erro achar que o povo aprecia a tolerância com a baderna. Muito pelo contrário, senão Getúlio Vargas e os militares não teriam tido clima para governarem com autoridade e segurança por tanto tempo. Não interessa a ninguém que este clima tome conta do Brasil, em meio à crise econômica. Este pessoal precisa de juízo e o governo de autoridade. Aliás, o governo é o maior interessado em que a situação não se deteriore neste campo da ordem pública. |