A crise amainou, mas deixou marcas profundas. Muita gente, pelo mundo inteiro, perdeu parte de seu patrimônio. Nas empresas que quebraram, nos fundos fraudulentos, na desvalorização de ativos, inclusive imobiliários.
A geração do pós-guerra na Europa e a forte presença de outras culturas no velho mundo e nos EUA enfraqueceram a tradição da prudência e da poupança. Fizeram aflorar um consumismo exacerbado e a ética na gestão de recursos de terceiros ficou afetada. A Suíça, que era símbolo da segurança bancária, deixou de lado o sigilo e viu seus grandes bancos, como o Credit Suisse e o Private, envolvidos em operações suspeitas, especialmente na Rússia. Já na crise de 98, colocou junto a seus clientes papéis que viraram pó. Houve ainda o caso da ex-gerente do escritório de Nova York, que criou um fundo, e o banco, através de alguns escritórios, o distribuiu, insinuando uma recomendação. E o tal fundo também virou pó muito antes da crise. Um caso de formação de quadrilha e o banco ficou mudo.
A crise vem no mesmo momento em que a violência urbana se torna insuportável, e de difícil controle em quase todo mundo. A França, a Itália e a Espanha vivem situação que nada fica a dever ao Rio ou a São Paulo, inclusive com territórios dominados por gangues de imigrantes que inibem a presença das autoridades locais. Pelo menos na Itália, o governo local anda prestigiando organizações de voluntários para auxiliarem na manutenção da paz nas ruas. E pensar que, nos anos vinte em Roma, no verão , se dormia de janelas aberta tal a segurança.
É o momento, portanto, de se pensar em soluções. Nos mercados, controles mais eficientes, como o caso brasileiro – e não se deve esquecer que esta estabilidade e transparência se deve ao ministro Pedro Malan. O Brasil também é referência mundial na eficiência de seu correto sistema eleitoral, que vem criando problemas no mundo que quer a democracia, mas convive com a fraude eleitoral.
Na violência urbana, parece claro que a situação impõe duas soluções a serem executadas em harmonia. A imediata repressão dura e a implantação de programas sociais com base na educação; não no assistencialismo. E com presença nos países exportadores de mão-de-obra não qualificada, que acaba se qualificando para o crime.
Incrível o comportamento da mídia que cobriu a Copa as Nações, na África do Sul, ao omitir ou não dar valor ao drama da sede da Copa 2010, na questão urbana, com toques de recolher, da saúde pública – um terço da população com AIDS – e da corrupção no governo. Já externei minha suspeita de que será muito complicado confirmar a sede para a Copa do próximo ano.
A economia mundial não pode ficar dependendo da China. O comércio tem de se desenvolver e os países precisam se voltar para a modernização de suas infraestruturas. A base da crise americana está na falta de investimentos públicos e no uso irresponsável do petróleo. A indústria automobilística é exemplo desta falta de responsabilidade, mais de 30 anos depois da primeira crise do petróleo.
O mundo não comporta mais povos endividados, estimulados pelos governos com crédito abundante e generoso para o consumo. A poupança deve voltar a ser medida prudente para uma família normal; a educação deve ser reformada. Não apenas no Brasil e nos EUA, mas em todo mundo a violência chegou nas salas de aulas e o nível do professorado é péssimo, se comparado às idealistas professoras até os anos 50 do século passado. Vide o grevismo leviano em São Paulo, em que o governador ainda abonou 57 dias de faltas, mostrando que o tempo passou e ele continua presidente da UNE; não governador do estado.
Mas pensar o mundo exige renuncia, humildade. O mais seguro é que os formuladores de soluções tenham menos de cinqüenta anos. O que anda por aí está podre ou desiludido.....
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