PRESENÇA DE FRANCISCO DORNELLES
O senador Francisco Dornelles, presidente nacional do PP, costurou, com grande habilidade e muito trabalho, um desempenho excepcional da legenda progressista em todo o país. Apesar da omissão da mídia, que é mais do que estranha, o PP figura em número de vereadores e prefeitos entre os cinco maiores do Brasil – sendo o segundo em filiados.
O partido elegeu mais de cinco mil vereadores e 500 prefeitos. A maior votação proporcional em capital brasileira foi do PP em Maceió e, no Rio de Janeiro, elegeu dois prefeitos em municípios importantes da Baixada e mais 12, no restante do estado. Em Minas, onde o presidente da Assembléia, Alberto Pinto Coelho, é progressista, foi reeleito, em Uberlândia, Odelmo Leão, que, quando deputado federal, foi líder da bancada do partido. No Rio Grande do Sul, a legenda manteve a posição de detentor do maior número de prefeituras (146) e hoje disputa em mais um município o segundo turno.
Apesar de um boicote que deveria envergonhar a reportagem política da imprensa nacional, o PP, em sua bancada federal de 40 deputados, conta com muitos entre os três mais votados em seus estados – Amazonas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Alagoas. E o mais votado do Brasil: Paulo Maluf, de São Paulo. No interior paulista, o deputado Vadão Gomes viu eleitos seu filho e sua mãe, em inequívoca demonstração de prestígio.
Partido do equilíbrio e da governabilidade, o PP encontrou no seu presidente uma personalidade política verdadeiramente nacional. Nascido em Minas, o sobrinho de Tancredo Neves foi seu auxiliar desde sempre. Seu pai, gaúcho, foi general do Exército e sua vida foi construída no Rio de Janeiro, como professor da Fundação Getúlio Vargas e procurador da Fazenda Nacional. Francisco Dornelles foi ainda ministro da Fazenda, da Indústria e do Comércio, do Trabalho e teve uma eleição para o Senado, em 2006, entre as mais disputadas e emblemáticas da história eleitoral do Rio.
Sua carreira e formação acadêmica consolidam o PP como o partido da pequena e média empresa, do ruralista, do agronegócio, da produção. Conhecedor dos mercados, considera, por exemplo, que alterar os contratos em função do chamado “pré-sal” seria uma temeridade em termos de quebra de compromisso. Além de tornar difícil a megacaptação de capitais para o empreendimento.
Mas é na discussão da reforma política que o senador fluminense e dirigente partidário coloca o melhor de sua experiência. Defende uma reforma gradual, que começaria com o que se denomina de “distritão”, ou seja, na próxima eleição os deputados federais e estaduais já seriam eleitos pela votação e não mais pelo voto de legenda que provoca tantas distorções. Dornelles dá sempre o exemplo de um dos melhores parlaermntares do Rio e do partido, Júlio Lopes, hoje secretário de Transportes do governador Sérgio Cabral, que com 94 mil votos, o 15º mais votado numa bancada de 46 parlamentares, não voltou para a Câmara em 2006.
Esse é o retrato do partido mais moderado, comprometido com a governabilidade, sem abrir mão de sua história e de suas origens no progresso recente vivido pelo Brasil. Mas, infelizmente, isso nem sempre é devidamente informado aos que acompanham a política nacional através da mídia. |