Vivemos uma fase de transição no jogo do poder político e econômico mundial. Os últimos 20 anos valeram por mais de um século. A queda do muro, o surgimento da China como potência econômica, a consolidação da Coréia, os tigres que minguaram, os emergentes que ganham espaço, como Índia e Brasil, e a possibilidade do México e da África do Sul resolverem seus problemas internos mais do que delicados e explosivos.
A América Latina possui uma nova versão dos “caudilhos”, antes amparados nas armas e hoje na demagogia eleitoral. A vizinha Argentina, que na teoria é um país maravilhoso, peca pelos seus desencontros políticos, que anulam suas vantagens de uma agricultura forte, uma energia sólida, inclusive no petróleo, e um povo que era padrão de educação e de vida, mas que hoje já convive com a pobreza. A crise ali se agravará e nos afetará, queiramos ou não.
O acontecimento mais forte, entretanto, foi a dimensão da crise americana, que, na verdade, arrastou o resto do mundo. Mas o gigante ferido não está fora do jogo. Pode e deve se recuperar. Obama é o Lula de lá. Diferente do que parecia. Também para melhor.
O engraçado é que a turma do ressentimento contra o EUA anda numa euforia fora da realidade. A Europa, que sofre, está claramente conservadora e sempre preferirá a união com o parceiro que lhe ajudou a obter a paz e o progresso. A Inglaterra não abandonará o aliado leal e generoso. A França, no fundo, guarda respeito pelos que lutaram em seu lugar pela libertação em 44, quando a população estava em Vichy, neutra, ou em Paris, conivente.
No polo do petróleo, a Arábia Saudita e Emirados sabem que, sem o apoio americano, a confusão se instala nos moldes do Iraque e do Irã. Os americanos têm moeda, abalada, mas a mais forte e conversível. Tem mercado, e armas. Não vai mergulhar no caos.
Erra quem jogar contra os EUA neste momento. E ainda por cima com riscos de retaliações econômicas fortes. A América Latina, que assiste com alegria as bravatas do dirigente da Venezuela, não resistiria um ano sem o comércio com os irmãos do Norte.
Uruguai, Chile e Colômbia parecem mais espertos, assim como o Peru. Nada de aventuras e sim acordos bilaterais. E já estão tendo ganhos nas relações especiais com Washington. Fizeram sua ALCA e nós sobramos.
Nossa diplomacia deveria der estar voltada é para colocar nosso etanol no mercado internacional e não sonhando com uma vaga no Conselho da ONU, que fica cada dia mais improvável.
Uma pena o açodamento com que o Brasil apoiou o resultado no Irã, tão distante e, portanto, sem importância para uma manifestação oficial. São estes cacoetes que afetam nossa credibilidade externa, como as medidas infantis da abertura desenfreada de embaixadas desnecessárias, que o TCU, pela voz autorizada do ministro Vilaça, já condenou.
Perdemos tempo discutindo política, mexendo no passado , gastando em custeio e não em investimento , enquanto a crise que oferece oportunidades para os mais ágeis está aí . Uma pena que mais uma vez, parece que vamos perder boas oportunidades e perder conquistas importantes. |