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O noticiário que procurou induzir a opinião pública de que o governador de Minas, Aécio Neves, teria concordado em ser o vice do seu colega paulista, numa chapa “puro sangue” do PSDB, estava repleto de crimes. O primeiro, de má-fé e o segundo, de falta de apreço pela ética no jogo político.. Isso para ficarmos nos dois principais.
Ora, Aécio é o nome do PSDB livre, justamente pelo fato de, embora amigo e companheiro do seu oponente, nada tem com sua vida passada, presente e, acredita-se, futura.
O governador encara o espírito conciliador de Minas e de seus maiores. Possui uma posição sólida em seu estado e uma história de conciliação e diálogo com as mais diversas forças políticas e ideológicas. É um jovem sem marcas do passado que ainda divide brasileiros. Tem na base de apoio ao seu governo a prova da formação de homem sem carregar ressentimentos e idiossincrasias do passado. Exerce um segundo mandato, com autoridade, com posições fortes no campo administrativo, não recua diante de pressões corporativistas ou políticas e acabou sendo o Marquês do Paraná que o avô Tancredo sonhava ser no campo nacional.
A estrutura político-partidária do país tem fundamentos falsos, parecendo que a decisão pode se dar entre PT e PSDB, com o PMDB de eventual fiel da balança. O amadurecimento do eleitorado, no entanto, pode revelar uma surpresa, que, na verdade, será um salto no escuro. Fenômenos caricatos não faltam nesta America Latina.
O fator mais forte ainda é o da maioria silenciosa, o que elegeu e re-elegeu Lula, o mesmo que só re-elegeu FHC por falta de opção viável. A realidade é que o eleitor de Aécio, por mais que ele assim venha a desejar, não o acompanharia no apoio ao centralizador, estalinista de arrependimento duvidoso, que governa São Paulo, cultivando implicâncias de toda natureza. Por mais que o mesmo ande obediente a uma assessoria que o coloca em pele de cordeiro, o povo tem instinto e a classe média sólida, sem pretensões intelectuais ou apetites empresariais, vai preferir a opção pelo adversário nítido, um petista puro, a um dissimulado que se porta ainda como se presidente da UNE fosse, obediente aos dogmas da esquerda.
O governador de Minas é muito jovem, conceituado, tem a credencial do governo competente, política e administrativamente, pode esperar e disputar o Senado. Mas a história não perdoará a FHC e outros cardeais tucanos, inclusive a quinta coluna mantida no PMDB lulista, isto mesmo, pela entrega do país a uma aventura. Esta, aliás, dificilmente se revelará uma boa surpresa, como no caso do presidente Lula, que tem mais méritos pelo que não fez do que pelo que vem fazendo.
Não bastasse, Aécio Neves não revela obsessão pelo poder, não está disposto a vender sua alma, sua carreira e seus compromissos pela vida no Jaburu. Não tem nem idade para isso. Se for para o Planalto, será mesmo como missão, pois estará limitando bons anos de sua vida com as obrigações presidenciais. Talvez, aí, onde os adversários vêm um ponto fraco, a falta de empenho, esteja sua grande força. Não precisa mentir nem promover acordos para não serem cumpridos, por uma posição que aceita, mas pela qual não representaria uma farsa. Mas a vida e a política têm seus mistérios e, se o governador de Minas, e dos mineiros, ceder em apoiar seu companheiro de partido, cometerá um erro e entristecerá seus amigos e admiradores. Especialmente a Minas, que, certamente, por toda uma história, será tratada a pão e água pelo frio estalinista do Morumbi. Se for para ser vice, que o seja por outro partido, do candidato do PT.
São avaliações feitas dentro do que se procura fazer crer no noticiário político nacional, no qual o candidato paulista tem uma força evidente, a ponto de avaliar grosseiramente pesquisas. Mas, na verdade, a solução deve vir a ser outra e Aécio sair candidato, mesmo que deixando, e com muita gente, o partido, que é nacional na teoria. Embora seja o mais regional de todos, na prática. |