ELEIÇÃO PREVISÍVEL
O pleito municipal não apresentará novidades que possam repercutir na sucessão presidencial. Apenas definirá a política dos estados e abrirá caminho para uma reforma política e partidária que melhor atenda à democracia. A irritação com os candidatos de si mesmos, em partidos “nanicos”, parece exigir que a cláusula de barreira seja, finalmente, criada. E respeitada.
Nas principais capitais, o povo mostra, segundo pesquisas e avaliações, pragmatismo na busca de uma política de resultados e não de discursos ideológicos, muito menos radicais. Em São Paulo, a candidata líder, Marta Suplicy, junta a seu capital eleitoral, consolidado no mandato de prefeita da capital, o prestígio do presidente Lula. Enfrenta um frio tucano e o atual prefeito, que embora bem aceito pela população, tem sua candidatura marcada pela inacreditável traição ao partido a que pertence por parte do governador José Serra. O povo não costuma endossar gente traidora ou que convive com tais elementos.
Belo Horizonte dará, no primeiro turno, o candidato Márcio Lacerda, do PSB, coligado ao PT e com o apoio dos tucanos que não possuem candidatura própria. A união do prefeito Fernando Pimentel e do governador Aécio Neves, ambos consagrados pela população, inclusive pelas parcerias bem-sucedidas, não deixa dúvidas. Avalia-se, entretanto, que o segundo lugar possa ficar com o candidato do PMDB, não com a candidata comunista, que saiu na frente nas pesquisas por ser mais conhecida e ter eleitorado definido. Ela não cresce entre os indecisos, o que ocorre com os dois outros candidatos bem colocados.
No Rio, o presidente Lula é disputado por todos os candidatos. O do PT não tem chance de crescer. O do PMDB, Eduardo Paes, favorito num segundo turno, elogia o presidente ao qual já fez oposição. O senador Marcelo Crivela, líder nas pesquisas, é, como bem diz o vice- presidente, José de Alencar, o candidato do coração do presidente Lula. Lidera as pesquisas, tem feito uma boa campanha, mas não dispõe de forças políticas. Seu partido é pequeno e não tem alianças com nenhum dos cinco maiores.
A eleição de Salvador pode sepultar aspirações maiores do governador Jacques Wagner,, que não está bem avaliado. A eleição deve ser decidida entre ACM Neto e o ex-prefeito (e ex-carlista) Antonio Imbassahy, que virou tucano.
A eleição não fará surgir nenhuma novidade – a não ser a já conhecida boas relações do governador Aécio Neves com o PT mineiro e nacional, e o PSB do deputado Ciro Gomes, que já declarou que a candidatura Aécio seria imbatível. Para que Minas se mantenha unida, algumas eleições no interior tornaram-se emblemáticas. Barbacena, Juiz de Fora, Montes Claros são exemplos. Nestes, os eleitos precisam ser afinados com o governador para que a união mineira, que se prenuncia, seja uma realidade.
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