A PROPOSITO DE DOIS ILUSTRES MINEIROS

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Aristóteles Drummond   

 

A PROPOSITO DE DOIS ILUSTRES MINEIROS        

                   A Revolução de 30 revelou, em seus desdobramentos, ao Brasil uma excepcional safra de políticos, intelectuais, juristas, lideranças sindicais, que marcaram a história brasileira até a virada do milênio. Getúlio Vargas teve, em Benedito Valadares, o governador que só lhe deu alegrias e nenhuma preocupação. Contou com Antônio Carlos Ribeiro de Andrada nos momentos mais delicados vividos pelo seu governo e teve, em Francisco Campos, a inteligência que o ajudou a manter o Brasil afastado dos extremistas que dividiam o mundo em meados dos anos 30.
                A redemocratização, em 45, surgiu do brado do Manifesto dos Mineiros, que repercutiu de tal forma na consciência nacional que ninguém lhe nega a retomada da democracia, logo após o final da Guerra, afastados os perigos radicais. Os signatários do documento eram alguns dos mais ilustres representantes do pensamento liberal dos inconfidentes, unindo empresários, intelectuais e políticos.
               Muitos desses notáveis se revelaram em mais de uma atividade, além da política. Entre os da velha UDN, Oscar Correa, tribuno excepcional, foi grande professor de Direito e homem cuja cultura o levou a Academia Brasileira. Virgílio Melo Franco, que não chegou aos 51 anos, deixou a marca da liderança política e da capacidade gerencial e empresarial. Afonso Arinos, o sobrinho, deu quase 60 anos de sua vida ao Brasil, no Parlamento e na literatura, tendo galgado também a Academia Brasileira.
               Este ano marca o centenário de dois dos mais ilustres membros desse grupo, que foram notáveis como políticos e como empresários. Magalhães Pinto, que se projetou na vida pública como presidente da Associação Comercial de Minas, banqueiro, modernizador, com seu sobrinho José Luiz e os filhos Eduardo, Marcos e Fernando, do sistema bancário nacional. Foi deputado e, como senador, presidiu a Câmara Alta, além de ter sido governador de Minas e líder civil da Revolução de 64, quando mostrou que seu compromisso público estava acima de tudo, pois arriscou não só a carreira, mas uma potência do mercado financeiro de então para salvar o Brasil do totalitarismo ou do caos que se desenhavam no horizonte político.
              Bilac Pinto foi outra admirável e completa personalidade. Deputado, presidente da UDN, bravo líder na oposição ao Governo Goulart, editor da histórica Forense, embaixador do Brasil na França e ministro do Supremo Tribunal Federal. Agora terá sua biografia escrita por Murilo Badaró, presidente da Academia Mineira e ele mesmo personagem da vida pública nestes anos, pelo PSD.
               Neste momento em que o panorama de nossa vida pública anda pobre, embora Minas continue a se fazer bem representar – desde o governador ao senador Elizeu Rezende, dos maiores realizadores do Brasil Grande, passando pela bancada federal, que vai da experiência de Bonifácio Andrada a revelação de Rodrigo de Castro –, é preciso que estes exemplos e estas figuras não sejam esquecidas. Muito pelo contrário, só poderemos melhorar nossos padrões de presença política lembrando o passado, especialmente quando o político também era empresário, intelectual e participava das bancadas de seus estados.
               Renovar, e mais do que isso, melhorar o perfil de nossos políticos passa pela participação dos empresários e intelectuais, profissionais liberais de sucesso. São Paulo teve intelectuais do porte de Menotti del Picchia, Plínio Salgado e empresários como Brasilio Machado Neto, Auro de Moura Andrade, Horacio Lafer, Herbert Levi e Roberto Simonsen, para ficarmos nos que já se foram. Mas os dois ilustres mineiros que completariam cem anos em 2009 são bons exemplos do que precisamos no cenário nacional. Em outros estados vale lembrar nomes como Jesse Pinto Freire, Jose Ermírio de Moraes, João Cleophas, Fernando Correa da Costa, Roberto Campos como intelectual e homem do mundo, entre outros.
Empresário, profissional liberal, intelectual de formação democrática, defendendo a liberdade de empreender deve sim entrar na política, sob o risco de graves retrocessos no processo econômico e social.

 

 

 
 

 

 

     
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