O Mercosul já está de tal maneira desfigurado que sobrevive apenas formalmente. A possível entrada da Venezuela afronta a cláusula do regime democrático. Ainda que tenha vencido eleições de lisura duvidosa, e mesmo que legitimamente, o fato é aquele governo coage autoridades locais, eleitas, de oposição, agora quer legislar por decreto,desrespeita a propriedade privada e fala abertamente em socialismo pela via das desapropriações unilaterais. E sem negociação de valores.
O Uruguai foi pragmático e convive no sistema, mas está garantido com vantajosos acordos com os norte-americanos. A Argentina vive um drama econômico, político e, sobretudo, moral. O Paraguai nunca foi tão Paraguai, infelizmente.
O Brasil não sabe o que fazer, como reagir, como se portar diante do comportamento de seus companheiros. Nem como equilibrar o sonho de aliar democracia de verdade com progresso econômico e social. Mas a falta de compromisso democrático sincero, de uns, e a praga da corrupção, de outros, fazem com que o projeto Alfonsin-Sarney se transforme em letra morta.
O Chile, Peru e a Colômbia são os países com políticas externas mais coerentes e realistas. E estão atravessando a crise sem maiores dificuldades.
O caso de Honduras serve para mostrar que nossa América Latina continua pequena. A região joga na mentira, na farsa, com a cobertura do que resta de uma organização na mídia, que, na realidade, sobrevive a queda do muro.
Não houve golpe em Honduras. Foram os poderes constituídos que afastaram o governante, que, por sua vez, se distanciou da lei e, mais do que isso, a afrontou. O Judiciário e o Legislativo selaram a queda do presidente e as Forças Armadas apenas se mostraram cumpridoras da lei e da ordem, como normalmente o fazem nesta parte do mundo.. No dia em que as Forças Armadas forem partidarizadas ou coniventes com a quebra do respeito à lei, será o caminho para que a AL se transforme numa nova África.
Hoje já não temos uma ou outra figura exótica, manipulando este ou aquele país. São muitas as nações com governos “diferentes”, como Bolívia, Venezuela, Equador, Argentina, Nicarágua, El Salvador e, claro, Cuba. A Argentina, pela sua história, pelo povo letrado e pela sua importância econômica e cultural, deve reagir primeiro. Mas o populismo peronista já conseguiu seu primeiro objetivo, comum aos regimes demagógicos ou de tendência totalitária, que é criar um forte contingente de miseráveis, que votam e legitimam quem lhes dê um pedaço de pão.
Tudo isso é muito perigoso. E não pode ser assistido com a passividade que não condiz com uma nação que foi líder e referência. Só o que nos resta de aristocracia, no sentido de pessoas de princípios éticos e morais,gente que conhece, respeita e admira nosso passado, sem a ambição desmedida do ganho fácil,da exploração de ressentimentos, pode reunir forças para reverter um quadro tão triste.
Inacreditável, mas Lenine parece estar mais vivo do que nunca. Os países capitalistas e democráticos estão mergulhados na crise, na corrupção, na divisão e prestes a se enforcarem, com a famosa corda a que ele se referia: curtida na ganância, no egoísmo e no desgaste de duas forças mestras de qualquer nação que justifique este nome – o clero e as Forças Armadas.
Convém lembrar que Stalin, em 40, afirmou que o comunismo sofrera um atraso de meio século com a derrota na Espanha e os culpados foram a Igreja e os militares. Stalin sabia das coisas. Vamos , portanto, ficar atentos as tentativas de minar os sentimentos tradicionais de nossos militares de um lado e este estimulo a seitas de toda natureza , instrumento para diminuir a influência da Igreja no Brasil , que cresceu muito de João Paulo II para cá. |