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ATITUDES DE ALTO RISCO

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

O que Brasil de hoje nos leva a crer que estamos mesmo acima da crise e vivemos as delícias do “mundo da lua”, sem preocupações; apenas filosofando e tratando de temas sentimentais e até mesmo históricos. Um SPA mental!

Parece que não temos uma das maiores cargas fiscais do mundo. Muito menos que nossa legislação trabalhista a cada momento se torna mais onerosa para o empresário e faz retrair cada vez mais o mercado de trabalho. As contas são lidas com otimismo e mil justificativas para os dados verdadeiramente preocupantes. O grevismo inconsequente, e justamente dos mais protegidos e bem remunerados, corre solto e impune. O país é presa fácil de um sindicalismo que já não sobrevive no mundo responsável.

Reformas, avanços modernizantes, retiradas de entraves a importação, exportação, movimentação de capitais, segurança nos portos e estradas, nada mais é aventado. Resta a presidente Dilma, que reage, mal ou bem, ao saque dos aliados políticos, ocupando de má-fé ministérios. Mas nem tão rigorosas com os íntimos.

Queremos crescer sem estradas, portos, aeroportos e fontes competitivas (e limpas) de energia. As obras do governo federal, que se acredita do mais alto interesse nacional, são barradas por índios, ambientalistas e supostos herdeiros de quilombos, na sua maioria imaginários. Se existissem os mais de mil reivindicados no pequeno – mas produtivo – Estado de Santa Catarina, não teria havido escravidão por ali. E o povo local é mais louro do que moreno.

O Congresso discute projetos eleitoreiros, se preocupa com a liberação de emendas e a crise vai se agravando... Nada é feito de concreto para defender as contas públicas dos rombos do sistema financeiro que são estranhamente absorvidos pelos bancos oficiais. 

A dívida dos estados exige uma reavaliação e repactuação. Os juros são altos demais, as dificuldades para a liquidação das dívidas é imensa, mas vai se empurrando o problema com a barriga, como se diz popularmente. São bombas que, ao contrário do passado, explodem com muita velocidade. Não compensa mais enganar e protelar.

A inflação é um fato. A qualquer momento pode haver fuga de capitais do mercado financeiro e a retomada da confiança demora. Existe uma percepção de influência maior do que a conta de radicais, inclusive nas agências reguladoras e na gestão das greves. Tudo acaba se refletindo na credibilidade nacional.

Em termos de posições políticas no campo internacional, nos fartamos de errar ao longo deste ano. O que, no fundo, ajuda a conter esta onda de simpatia que tanto tem nos ajudado. Sem falar no revanchismo em relação aos militares que, em primeiro lugar, é impatriótico e injusto.

Vamos aproveitar o clima de virada de ano e colocar os pés no chão. Temos de agir e não de tolerar esta conversa de gente irresponsável, que sabota patologicamente o Brasil, pela via das restrições ambientais, das decisões judiciais, das regulações hostis ao empreendedor e desta fúria fiscal, que, de muito, ultrapassou os limites da paciência empresarial.

Não temos o direito de interromper um ciclo, que, apesar dos pesares, tem sido positivo.

 

 

 

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