A celeuma toda sobre a construção de Belo Monte tem tirado o sono dos brasileiros responsáveis e informados. Quem o destino levou a conhecer o projeto em seus primórdios e teve a oportunidade de conviver com um notável e admirável quadro do setor, o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, não pode se conformar com os absurdos que estamos assistindo ao longo dos últimos anos.
É fácil imaginar e se preocupar com a dimensão dos aborrecimentos que o assunto pode provocar nesse idealista, sonhador, competente técnico, com uma carreira que beira à unanimidade no apreço de sua geração. José Antonio foi presidente da Eletronorte e hoje preside a Eletrobrás. Sabe da importância da obra para o setor, para o Brasil, para a região, que é das mais pobres do nosso país. A construção de Belo Monte dará recursos a municípios que, com um empurrão, podem ascender no social e no econômico. Ficam às margens da Transamazônica, a grande estrada de integração amazônica, e seus orçamentos serão significativamente reforçados pelos royalties do reservatório.
Qualquer brasileiro fica constrangido de ver a onda contra um projeto que é reconhecido internacionalmente como de grande importância e dos mais completos. Adaptado às exigências ambientais, muitas exageradas, ficou mais caro, mas, mesmo assim, é fundamental para o crescimento da economia nacional. E fica a poucos quilômetros do linhão do sistema integrado.
O presidente Lula, os ex-ministros de Minas e Energia Dilma Rousseff e Edson Lobão e o atual, Macio Zimmermann (quadro de excelência também do setor), são defensores do projeto. Na oposição, na qual é figura de destaque o deputado José Carlos Aleluia, outro nome respeitado no setor elétrico, não existem restrições a grande obra.
A oposição a Belo Monte, quando não suspeita, parte de gente desinformada ou de mentalidade deformada. Não se pode supor um barulho tão grande contra o progresso. Este tipo de entrave se soma às badernas do MST, às questões de quilombolas e a outras que ameaçam todo o esforço de fazer do Brasil uma nação respeitada, madura e responsável. Portanto, algo tem de ser feto na esfera do Legislativo para impedir contratempos na contratação da obra .
Um pacote legislativo que iniba essas interferências em projetos de alto interesse nacional se torna urgente. Já basta a novela que foi para Angra 3, de significado bem menor, e os entraves ao asfaltamento da Cuiabá-Santarém e da Manaus-Porto-Velho. Ou o Brasil acaba com a legislação que permite estes abusos e intromissões ou estaremos condenados a regredirmos, por falta de infraestrutura, no econômico e, consequentemente, no social.
O presidente Lula, de qualquer maneira, não merece esse tipo de ação dos que pertencem ao seu universo político. É preciso agir com autoridade e muita indignação contras as forças do atraso – diria até que com fortes deformações na formação cívica e na consciência social.
Belo Monte passa a significar a marca entre o Brasil que vai para a frente e aquele que quer ficar no atraso econômico, político, social. E mental, sobretudo.
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