A CHANCE DOS INSISTENTES

BENTO XVI, O PAPA ESTADISTA

A Igreja enfrenta com paciência, mas determinação seus problemas, oriundos, hoje, mais das fraquezas humanas a que todos estamos sujeitos, inclusive religiosos. Mas Bento XVI está atento e, em breve, poderemos ter uma ação do setor responsável pelos clérigos que discipline adequadamente, com os cuidados devidos, aqueles que ou cedem diante da tentação ou se empolgam na luta contra a injustiça e a miséria. E, com este intuito, traçam caminhos diferentes daqueles defendidos pela Igreja, que são os da caridade, solidariedade e generosidade, e jamais do recurso a atos de violência ou rebeldia.

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BENTO XVI, O PAPA ESTADISTA

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

        

             A Igreja enfrenta com paciência, mas determinação seus problemas, oriundos, hoje, mais das fraquezas humanas a que todos estamos sujeitos, inclusive religiosos. Mas Bento XVI está atento e, em breve, poderemos ter uma ação do setor responsável pelos clérigos que discipline adequadamente, com os cuidados devidos, aqueles que ou cedem diante da tentação ou se empolgam na luta contra a injustiça e a miséria. E, com este intuito, traçam caminhos diferentes daqueles defendidos pela Igreja, que são os da caridade, solidariedade e generosidade, e jamais do recurso a atos de violência ou rebeldia.

           As nomeações deste Papado seguem a linha de João Paulo II, que, com muita habilidade, foi afastando aqueles que se deixaram seduzir pelas teses emanadas do Comunismo Internacional – ainda do tempo de Stalin, que recomendava prioridade na infiltração de ativistas nas Forças Armadas e no clero. O ditador soviético morreu convencido de que a batalha perdida pelo comunismo foi na Espanha. Com a Península Ibérica nas mãos, teria sido mais fácil a ação na América Latina e o que foi a Europa livre dos anos 60 teria ficado cercada. Alguns países, como a França, poderiam até ter caído nas malhas da Cortina de Ferro. E Stalin tinha a convicção que a derrota em Espanha se deu por conta do patriotismo dos militares – inclusive entre republicanos que resistiram ao comando comunista no final da Guerra Civil – e do clero, apesar de mais de dez mil religiosos terem sido barbaramente assassinados. Destes, João Paulo II e o próprio Bento XVI já beatificaram quase dois mil, como mártires da cristandade.

         Agora esta abertura para os anglicanos (dominados por uma ala ousada que vem desmoralizando a Igreja mais próxima dos católicos) mostra a dimensão que dá a seu Papado. Aliás, não se constitui novidade alguma religiosos católicos casados, como ocorre milenarmente nos ritos orientais, mas ligados ao Vaticano. Foi um gesto político de grande alcance. O diálogo inter-religioso é ponto importante na política do Vaticano, e inclui aparar arestas que ainda possam existir no relacionamento com “nossos irmãos mais velhos”, os israelitas, cuja religião nasceu e pregou Jesus Cristo.

           O mundo hoje tem sua tranquilidade ameaçada justamente pelo radicalismo religioso. O mundo amarga a pusilanimidade da política externa americana nos anos Carter, omissa na derrubada do Xá da Pérsia, que estava modernizando e abrindo seu país. Derrubada esta que culminou com estes anos de terror e ameaças a paz mundial, além é claro destes delírios latino-americanos, que não devem de ser desprezados. Errou mais ainda quando se abandonou o querido Líbano, que, depois de Portugal, talvez seja a nação mais presente no carinho e no sangue de brasileiros.

           Mais do que nunca uma Igreja una e forte, atuante no diálogo, na sua disciplina interna, que se baseia nas sábias decisões da obediência e da infalibilidade papal. E isso é muito importante num mundo que precisa virar a página da violência, dos ódios e das injustiças.


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