São Paulo é a mais importante cidade do Brasil. Pela população, pela sua economia, pelo papel que representa na vida nacional. Tem uma tradição de prefeitos importantes na história, desde Antonio Prado, passando por políticos de dimensão nacional, como Adhemar, Jânio, Covas, Faria Lima, Maluf e Olavo Setúbal. Isso só para ficar nos mais conhecidos.
O prefeito Gilberto Kassab surgiu e se projetou nacionalmente com a sua eleição e, agora, na liderança de um partido que é, inequivocamente, uma realidade surpreendente. Agregou um grupo político grande e de qualidade acima da média nacional.
É natural que sua prioridade seja eleger seu sucessor, por ser ele o prefeito em segundo mandato e pelo partido que precisa mostrar que tem força no seu berço. E tem um nome de invejável valor, conhecido em todo o Brasil, candidato que foi à Presidência da República na primeira e mais bonita eleição direta das últimas décadas, a de 89, que elegeu Fernando Collor, mas tendo na corrida nomes como Lula da Silva, Leonel Brizola, Maluf, Covas, Aureliano e Ulysses Guimarães. Trata-se do vice-governador Guilherme Afif Domingos, que, da atividade e da liderança empresarial, surgiu como um político de boa conduta e boas ideias. Foi um parlamentar exemplar na Constituinte.
Seu nome transita entre as forças vivas da sociedade paulistana, políticas, sindicais, intelectuais e empresariais. O povo já o consagrou em eleição para o Senado, que perdeu por muito pouco. Fora os partidos de ideologias mais radicais, não sofre, nem poderia sofrer, qualquer resistência em outras agremiações igualmente importantes, como o PSDB, de quem foi aliado nos dois últimos pleitos, dos Democratas, que o acolheram por muitos anos, do PP de seu companheiro de ideias liberais Paulo Maluf, do PTB, do chamado centro democrático e até do PMDB, que, mesmo vindo a ter nome próprio, em segundo turno, naturalmente, o acompanhará. Para uma sociedade que aspira um nome acima de qualquer suspeita, limpo, preparado, cordial, inserido num contexto de desenvolvimento urbano com ética e transparência, o novo partido não saberá explicar ao eleitorado uma escolha diferente.
O PSDB e, especialmente o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não terá como discordar da indicação daquele que é o vice-governador, aliado correto e escolhido pelas qualidades de homem público. E não por conchavos partidários.
Ao que tudo indica, as forças políticas de São Paulo devem se ocupar apenas da escolha de quem enfrentará o candidato que, mais do que do PSD e do Prefeito Kassab, é um nome que surge, naturalmente. Pelo menos, para aqueles que, antes de pensarem em termos políticos, raciocinam em termos cívicos.
Essa não é uma análise, muito menos uma posição política. É uma constatação que não pode – nem deve – ser ignorada. Por todos os motivos, São Paulo merece um gestor moderno, empreendedor, ético e aglutinador.
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