CHEGA DE PREFEITOS DESPREPARADOS !

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CHEGA DE PREFEITOS DESPREPARADOS !

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

 

O nível médio de nossos prefeitos deixa muito a desejar, mesmo em algumas capitais e cidades de porte médio. Nossa democracia precisa se aperfeiçoar no sentido de se dar mais valor aos partidos e a estes condições para selecionarem seus quadros com mais critério. O reclamo pela meritocracia pode incluir as chapas dos partidos para todos os cargos eletivos. Não se trata de escolaridade, mas de conceito, experiência e representatividade.

Com uma legislação eleitoral dirigida para o que promete mais ou é simplesmente mais conhecido, o eleito quase sempre não é o mais indicado. Os prefeitos sem carisma eleitoral – ao longo da história -, muitas vezes foram os melhores. E exemplos como o Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, Américo Gianetti da Fonseca, em Belo Horizonte, Marcos Tamoio, no Rio. E governadores como Almirante Faria Lima, na fusão da Guanabara com o Estado do Rio. E até presidentes, como os quatro bons generais que foram Castelo, Costa e Silva, Médici e Figueiredo, segundo bela avaliação de Delfim Netto em entrevista dada, há tempos, na TV Câmara, disponível na Internet.

O ideal é que as responsabilidades de atendimento à população sejam cada vez mais entregues aos municípios, mas é preciso qualidade de gestão para que os recursos sejam aplicados de maneira adequada. Mesmo agindo de boa fé, a maioria erra, e muito. O despreparo dos prefeitos é mero reflexo do baixo nível da educação no Brasil. Temos de reagir, e rápido .

A legislação tem de ser moderna, dinâmica, para atender às necessidades da população. Temos de melhorar a regulamentação do saneamento básico, neste caso, retirando poderes das prefeituras, uma vez que o suprimento de água é por bacias e não por fronteiras políticas.  O perfil do ensino, especialmente nas carreiras mais técnicas. A metade dos  que ingressam nos cursos de engenharia, por exemplo, não chegam a ao terceiro ano. Logo, antes de aumentar as vagas, deve-se tratar de aumentar o número dos que concluem as vagas existentes. E tudo parece refletir o baixo nível do ensino de nível médio em matemática, física e química.

Uma grande vergonha é a criação de universidades municipais. Uma aberração, uma vez que os cursos são caros, demandam investimento permanente. Criar bolsas municipais poderia ser uma boa idéia nos municípios que não dispõem de cursos. As bolsas seriam para anuidades, transporte e alimentação, tendo, em contrapartida, o desempenho e a assiduidade do aluno. Políticos e dirigentes partidários modernos, como os vice do Rio e de Minas, Pezão e Alberto Pinto Coelho, estão nessa linha, preocupados que as forças políticas que representam  escolham com rigoroso critério seus candidatos já para o ano que vem.

A reforma política deve chegar ao detalhe do preparo dos candidatos, para não desgastarmos o regime  pela via da desmoralização e da decepção.

 

 

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