O ex-governador de Minas Aécio Neves promoveu o que ficou conhecido por choque de gestão, ao modernizar e disciplinar o setor público mineiro. O fato teve repercussão nacional e, no seu segundo mandato, viu surgir uma safra de governadores jovens que vieram a dar atenção à criação de estados modernos, como foram os casos do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Goiás. A satisfação dos mineiros com os avanços obtidos foi de tal monta, que o executor do programa foi promovido a vice-governador. E, hoje, é o Governador dos mineiros, Antonio Anastásia.
Entretanto, governar com eficiência, que parece não ser tarefa impossível, é complicado em função de posturas ideológicas ou demagógicas por parte de um tipo de político que ainda sobrevive, do primeiro ao terceiro mundo. Assim é que a Europa, padrão de cultura, de democracia e de sucessos empresariais, vive momentos de angústia, com a cobrança da gastança desenfreada pelos governos de esquerda em alguns países. Quiseram distribuir o que não tinham e agora o buraco, em alguns casos, é Maior do que os PIBs dos envolvidos.
A situação em que a crise nos diferentes países tem origem na gestão temerária dos recursos públicos, fato hoje incontestável, faz surgir uma nova e forte liderança na figura de Angela Merkel, dirigente da Alemanha, que está fora da crise, com reservas, sem desemprego e com superávit nas suas contas. E é por isso que exige juízo dos demais países da União Europeia e um corte nos exageros concedidos, a começar por salários do setor público.
Os governos de esquerda criaram uma estranha política de privatizações, em que os governos ficam de posse de ações especiais chamadas de golden shares, que, na verdade, lhes permitem influir na escolha de administradores e de conselheiros. Todos ganhando mais do que ministros e parlamentares e manipulando, sem controle, grandes somas. As empresas de eletricidade e telecomunicações destes países na verdade são semiestatais. Agora os governos terão de acabar com esta hipocrisia e vender ativos para valer.
Quem está cobrando isso tudo é a dirigente alemã, que fica revoltada de estar no mesmo continente, com os mesmos problemas, mas agindo com austeridade e coragem política, e ser chamada a apagar a conta dos erros dos outros. Erros anunciados e previsíveis.
A grande mulher do século passado na política internacional, Margareth Thatcher, contou com dois poderosos aliados no presidente Ronald Reagan, cujo centenário se comemora este ano, e no Papa João Paulo II, que será beatificado em maio próximo. Angela Merkel precisará de aliados para ajudar a Europa a recuperar mais do que a sua economia, a sua credibilidade e o respeito à democracia, que tem custado muito caro aos europeus. A Bélgica está sem governo há sete meses. O Rei parece que agora agirá em função da pressão popular. Angela Merkel, que veio da triste Alemanha Oriental, é uma liderança conservadora competente, vitoriosa e pode, com seu exemplo de gestão, ajudar aos partidos irmãos de todo o mundo democrático.
Agora mesmo Merkel sugere que todos os países membros da União Europeia tenham a mesma política de aposentadorias por idade e tempo de contribuição, assim como tetos.O que se passa nos países em crise chega a ser inacreditável. Até o austero Presidente de Portugal, reeleito há semanas, optou por receber suas aposentadorias, abrindo mão dos salários a que teria direito.
As empresas alemães estão muito bem. A política trabalhista foi atualizada para garantir o nível do emprego, o fisco sabe seus limites para que a produção seja competitiva e o país continue a gerar imensos saldos comerciais. Talento é talento. Em Minas, como na Alemanha.
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