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Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

      O Barão do Rio Branco, cujas diretrizes até hoje nossa diplomacia procura seguir, interpretando a evolução do quadro político continental e mundial, dava prioridade ao nosso relacionamento com os vizinhos do Prata – Uruguai, Paraguai e Argentina – e os irmãos do norte, de Washington. Esta orientação merece uma reflexão profunda nesse momento.

      A Argentina vive um período populista, com perseguições a imprensa e o uso e o abuso da máquina oficial com fins eleitoreiros. O grupo no poder não quer sair, nem pela via democrática de uma eleição livre. E para contornar o caos na economia, inclusive com conhecida fraude nos índices de inflação, cria dificuldades ao comércio bilateral, contrariando as bases do Mercosul. São mais de 600 os nossos produtos com restrições ao livre comércio.

     O Paraguai tenta rasgar o tratado de Itaipu, que deu ao país, sem colocar um dólar e dar uma garantia, a metade da maior hidroelétrica do mundo. E o Brasil já fez um primeiro recuo e promete recuar ainda mais, onerando todo o setor elétrico, cujas tarifas já estão chegando ao limite do que a sociedade pode pagar. E ainda querem reabrir feridas da guerra que envolveu os três demais países da região, reivindicando troféus de guerra, sem devolver os que possui – inclusive um navio em que todos nossos marinheiros foram mortos e não aprisionados. E há milhares de brasileiros que são proprietários e trabalham na nação vizinha, em área que começa a ser questionada por estar na região de fronteira. O mesmo ocorre com a Bolívia, que anda quieta, mas a qualquer momento pode criar um problema político ao  agredir os direitos legítimos dos brasileiros que lá vivem e trabalham.

    O Uruguai tem no seu comando uma personalidade curiosa, com um passado ligado ao radicalismo político e não se sabe  que caminhos tomará. O país, que já foi conhecido como a Suíça da America Latina, tem uma economia frágil e não comporta muitas aventuras, especialmente com os vizinhos e com os EUA, terra do sonho de sua mocidade.

    Com os EUA, a visita do presidente Barack Obama teve a vantagem de frear os sentimentos e atitudes de hostilidade ao tradicional aliado, que marcou os anos Amorim-Pinheiro Guimarães no Itamaraty, com a satisfação do assessor Marco Aurélio. A presidente Dilma foi impecável como anfitriã, na cordialidade e em reconhecer que a relação entre os dois países é muito importante para a América Latina e o mundo. A Presidente Dilma brilhou.

    As coisas estão melhorando em termos de comportamento coerente com as tradições da Casa que já teve em seu comando brasileiros notáveis como Afrânio de Melo Franco, Oswaldo Aranha, General Dionísio Cerqueira, Negrão de Lima, Vasco Leitão da Cunha, Saraiva Guerreiro e Luís Felipe Lampreia, entre outros.. Mas a abstenção no caso da Líbia, mostra que o sr. Marco Aurélio ainda manda muito no setor. O voto nunca seria da cabeça ou do aconselhamento do Chanceler Antonio Patriota. Só podia mesmo ter o apoio, que teve, de José Serra.

    O que tem ocorrido na Casa de Rio Branco mostra a importância de se criar um Conselho composto por ex-ministros e embaixadores notáveis, que poderiam prestar serviços em avaliações trimestrais, até os 75 anos de idade. Só teríamos a ganhar.

 

                                               

 

 

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