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ECONOMIA É CASO DE POLÍCIA?

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

          

     

O presidente Washington Luiz declarou certa vez que “o social era um caso de Polícia”. A frase pinçada correu o Brasil e entrou para a história, embora ele se referisse apenas a manifestações violentas que ocorriam por inspiração dos comunistas, em São Paulo, como em quase todo o mundo, nos anos 20, sob pretexto de reinvidicações de sentido social.

Hoje, a repressão às manifestações volta ser o centro das atenções em meio a necessidade imperiosa dos governos, especialmente os europeus, apertarem seus orçamentos, cortar privilégios de categorias mais organizadas, sanearem bancos públicos e fecharem estatais desnecessárias como as centenas de televisões deficitárias de municipalidades espanholas. Afinal, todos os países em crise vêm enfrentando greves (algumas disfarçadas em “operação padrão”), manifestações de rua com quebra-quebra e carros incendiados, agravando as dificuldades e procurando fazer com que os governos recuem nas medidas que têm sido aprovadas.

Os estados mais críticos, como Grécia, Portugal, Espanha e Bélgica, são governados por socialistas, culpados na origem pelos gastos fora da realidade em salários e vantagens. Até a Inglaterra tem encontrado dificuldades, embora a aposta é que sua recuperação pode se dar um prazo mais curto do que o previsto, pois existe na memória inglesa as vantagens da ação da autoridade dos anos Thatcher – fundamento de décadas de prosperidade e fim de privilégios inaceitáveis no mundo moderno.

A grande pergunta é se os governos saberão manter a ordem e abortar sabotagens como a que obrigou o governo espanhol a devolver o controle aéreo aos militares. E se os eleitores, a cada eleição, vão prestigiar a política de seriedade que se tenta implantar. No caso dos países citados, o curioso é que os conservadores, que sempre combateram a gastança, não estão no poder e os governos de esquerda estão tentando consertar os erros do passado. Mas Itália e França, com governos mais à direita, estão até aqui fora do furacão da crise. E quem a todos sustenta é a poderosa Alemanha, com governo de centro-direita e muito dinheiro em caixa.

A entrada em cena da China, detentora das maiores reservas internacionais, pode ajudar a crise e, com isso, criar uma importância e uma influência política que até aqui não teve, nem mostrou interessse em ter. A exportação agora é outra e não mais das frases atribuídas a Mao Tse Tung, muito pouco lembrado por sinal.

Este ano, portanto, não será tão tranqüilo como parece. E não tem sentido a ingenuidade dos que pensam que os EUA e a União Européia em crise, em recessão, que os chamados emergentes podem escapar das conseqüências. Afinal, são os maiores mercados consumidores do universo.

A Bélgica está sem governo há quase um ano e pode entrar num processo de divisão. E isso vem sendo contornado pelo fato de ser uma monarquia, que garante a unidade do país dividido por duas culturas, duas línguas e dois povos que têm dificuldades no convívio.

Devemos acompanhar nossa economia, nossa política, nossos números, mas com um olho no que se passa lá fora. Tudo aqui dependerá da evolução do quadro internacional. E, nestes momentos, bons aliados costumam ser úteis.

 

          

 

 

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