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EMPREENDEDOR SALVADOR

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

    

         O governo precisa se convencer de que seu êxito depende de estimular o empreendedor, seja ele no comércio, serviços, indústria ou  agronegócio. Para crescer, o país tem de oferecer empregos e arrecadar  para pagar os gastos que andam exagerados, aumentando a base e não os impostos.

           O experiente Delfim Netto já avalia que o quadro econômico vem se  deteriorando, apesar de alguns  números positivos inquestionáveis. Mas  falta uma legislação e uma postura em favor do empresário. Com as  nossas leis trabalhistas intocáveis e a carga fiscal injusta e cheia  de surpresas, não vamos crescer nas faixas intermediárias que  empregam até cem  pessoas, e formam a maioria da oferta. E com essa  legislação, vamos continuar a alimentar uma taxa de informalidade de  terceiro mundo.

          Falta mentalidade no legislador e nos executivos públicos,  Antonio Anastasia, tem repetido que o Estado só pode progredir com o  crescimento do investimento privado, mais tecnologia e qualidade.

          O próprio mercado financeiro, como se constata nesse momento das  declarações de imposto, é muito tributado e de forma  complicado.  Temos de fazer da bolsa o grande centro captador da poupança nacional,  mas sem tributação, que, na verdade, é bi-tributação. Quando muito, os  eventuais prejuízos deveriam ser compensáveis, como nos balanços das empresas.


         Abrir e fechar empresas no Brasil, sob a pressão das associações  comerciais, tem melhorado em termos de burocracia, mas ainda falta  muito para ficarmos no patamar dos países pró-empreendedorismo.  Demitir um empregado está mais difícil do que um processo de divórcio.  Assim, o empresário pensa duas vezes
antes de admitir um funcionário.


            Nesse caminhar de dificuldades, com o boicote argentino aos nossos produtos, com gargalo na infraestrutura, podemos parar. E a inflação estaria voltando sob controle. Se vivo fosse, Roberto Campos estaria  rindo dessa tese de
Inflação consentida e controlada.

          No geral, tudo vai relativamente bem. Mas é preciso olhar os detalhes, que  são muito importantes. Senão for o mais significativo.

 

 

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