O governo precisa se convencer de que seu êxito depende de estimular o empreendedor, seja ele no comércio, serviços, indústria ou agronegócio. Para crescer, o país tem de oferecer empregos e arrecadar para pagar os gastos que andam exagerados, aumentando a base e não os impostos.
O experiente Delfim Netto já avalia que o quadro econômico vem se deteriorando, apesar de alguns números positivos inquestionáveis. Mas falta uma legislação e uma postura em favor do empresário. Com as nossas leis trabalhistas intocáveis e a carga fiscal injusta e cheia de surpresas, não vamos crescer nas faixas intermediárias que empregam até cem pessoas, e formam a maioria da oferta. E com essa legislação, vamos continuar a alimentar uma taxa de informalidade de terceiro mundo.
Falta mentalidade no legislador e nos executivos públicos, Antonio Anastasia, tem repetido que o Estado só pode progredir com o crescimento do investimento privado, mais tecnologia e qualidade.
O próprio mercado financeiro, como se constata nesse momento das declarações de imposto, é muito tributado e de forma complicado. Temos de fazer da bolsa o grande centro captador da poupança nacional, mas sem tributação, que, na verdade, é bi-tributação. Quando muito, os eventuais prejuízos deveriam ser compensáveis, como nos balanços das empresas.
Abrir e fechar empresas no Brasil, sob a pressão das associações comerciais, tem melhorado em termos de burocracia, mas ainda falta muito para ficarmos no patamar dos países pró-empreendedorismo. Demitir um empregado está mais difícil do que um processo de divórcio. Assim, o empresário pensa duas vezes
antes de admitir um funcionário.
Nesse caminhar de dificuldades, com o boicote argentino aos nossos produtos, com gargalo na infraestrutura, podemos parar. E a inflação estaria voltando sob controle. Se vivo fosse, Roberto Campos estaria rindo dessa tese de
Inflação consentida e controlada.
No geral, tudo vai relativamente bem. Mas é preciso olhar os detalhes, que são muito importantes. Senão for o mais significativo.
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