Depois de Portugal, a Espanha deve ser com a Itália, o país mais ligado ao Brasil e aos brasileiros, pela presença de seu sangue e suas tradições em nossas famílias, especialmente em São Paulo, Rio, Bahia e Minas Gerais. O próprio movimento aéreo entre os dois países demonstra o grau de importância nestas relações nos dias de hoje. A IBÉRIA tem dois vôos diários, a TAM, um, sendo que PLUNA e Lan Chile possuem algumas cotas para venda de passagens. Isso sem contar os que vão por outras empresas, em vôos com conexão.
Temos ainda empresas de grande porte que vieram recentemente participar de nosso desenvolvimento, como os casos do Banco Santander e da Telefônica, entre outros. E, na atividade comercial, os espanhóis, que aqui aportaram como imigrantes, logo se estabeleceram, não sendo raros os casos de sucesso. No Rio de Janeiro, por exemplo, 70% das unidades hoteleiras de Copacabana pertencem a espanhóis, quase todos de origem na Galícia. Hoje, são dezenas de milhares os brasileiros que trabalham na Espanha, em busca de melhores oportunidades.
Esse quadro nos faz conhecer e acompanhar a história e a vida da nação amiga que, neste dia 20 de novembro, completa 35 anos sem a presença do General Francisco Franco, o homem que liderou a reação democrática que impediu que fosse formada a planejada União das Repúblicas Socialistas Ibéricas, com o desmembramento do país – o que até hoje sonham alguns separatistas que chegam a apelar para a violência. Além de preservar a Igreja Católica tão presente em sua história, que, pouco antes e durante a Guerra Civil, viu igrejas e conventos incendiados e mais de dez mil religiosos assassinados. Destes, que tombaram pelo ódio à fé, e foram muitos os casos de mártires, mais de mil foram beatificados por João Paulo II.
Franco, assim como António Salazar, em Portugal, ficou neutro na Segunda Guerra, reconstruiu a Espanha, impôs a ordem e o progresso, e acabou por ser reconhecido pelas grandes potências, que chegaram a lhe negar o ingresso na ONU quando de sua formação. Mas logo, logo, o presidente Eisenhower foi pessoalmente a Madrid consolidar as relações dos dois países, depois foi a vez de Nixon. A Espanha entrou para ONU e seus organismos e Charles De Gaulle, depois de governar a França e ter liderado as restrições do pós-guerra, foi hóspede por uma semana de Franco, a quem agradeceu em carta manuscrita de alto valor histórico, reconhecendo os serviços prestados pela Espanha à democracia e aos valores ocidentais.
Cabe lembrar que foi o General Franco que educou o Rei Juan Carlos II, para que, após sua morte, promovesse a união dos espanhóis em regime mais aberto. Não promoveu a abertura como desejava – e perdeu companheiros do valor do Almirante Carrero Blanco, barbaramente assassinado nas ruas da capital – pela persistente ação dos terroristas, especialmente os bascos. Franco governou com mão de ferro, mas nunca impediu espanhóis de deixarem o país, nem confiscou bens ou perseguiu quem lhe fazia oposição sem o uso da violência. Assim, os intelectuais, artistas, que lhe acusavam de ditador puderam viver na Espanha sem serem incomodados, o que não se imaginava na União Soviética de então e até mesmo na Cuba de hoje, referências maiores dos adversários do estadista espanhol.
Hoje a Espanha está em crise, dividida, com um governo esquerdista que procura provocar católicos, empresários e lidera a tolerância com a imigração ilegal. Sem falar na corrupção, que no caso é suprapartidária. E o povo sofre, com vinte por cento da força de trabalho desempregada.
Para o momento histórico espanhol e mundial em que viveu, o General Franco é uma referência positiva para os homens de posições conservadoras e, especialmente, católicos de todo o mundo. A data não pode passar totalmente em branco. Nem todos são pusilânimes ou acovardados diante da mentira e do ódio.
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