EUROPA TROCA DE RUMOS

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EUROPA TROCA DE RUMOS

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

      

O resultado das eleições na Espanha, que acompanhei de Madrid nos últimos dias da campanha, impressionou. Afinal, a vitória  dos conservadores superou as mais otimistas previsões do próprio PP.  A reação popular foi mais séria e pragmática do que a dos jovens da  Praça do Sol, sobre os quais apenas se sabe que estão “indignados” –  como, aliás, está todo mundo e em todo o mundo  com o que anda acontecendo na vida  pública em termos de corrupção, nepotismo e aparelhamento estatal.

O governo deveria convocar novas eleições para o Parlamento diante da  avalanche  eleitoral nas estaduais e municipais. Mas não o fará e tentará algo impossível até o ano que vem.E tem muito rombo que vai aparecer agora nas províncias espanholas.

O fenômeno espanhol não é um caso isolado. Portugal, daqui a dias, votará nos conservadores, podem ter certeza. Todos estão convencidos de que se gastou, se empregou e se endividou demais. Agora a conta tem de ser paga. Em janeiro, neste mesmo espaço, prevíamos o agravamento da crise na economia e seus reflexos políticos. E já se  percebia a força moral de Angela Merkel em exigir que os endividados  diminuíssem dias de férias, aumentassem a idade de aposentadoria, para  ficarem no mesmo patamar da próspera Alemanha, que não  esta disposta  a financiar as férias dos outros.

A União Europeia sairá da crise  pela via das empresas que estão bem, algumas vendendo ativos nos emergentes, mas diminuindo passivos  e obtendo alguma lucratividade. Na verdade, para se vencer  a crise, precisa-se cortar os gastos públicos, e investir no crescimento econômico e na geração de emprego. No fundo da crise política – e do  grito dos jovens – está o desemprego. Quem trabalha não vai para a rua protestar.

Na novela das ditaduras do norte da África, o caso do Egito tem sido comentado na mídia econômica européia pelo lado dos custos  das manifestações na economia local. Trocar um  ditador, que mal ou bem fazia o país, trabalhar e produzir, tendo altas receitas com o turismo, para o poder cair nas ruas não faz  sentido, é mero elitismo da esquerda bem nutrida.. E o turismo sofreu queda de quase 80% e se  sustenta praticamente pelo que é feito em outras cidades que não o  Cairo. Os gastos americanos no Iraque e no Afeganistão  influenciaram  – e muito – no aumento da dívida pública. A guerra civil na Líbia  afeta o preço do petróleo. A crise no Oriente Médio, idem. O recuo dos EUA em relação a Israel pode custar uma nova guerra. Se países agressivos como Síria e Irã não estivessem envolvidos em problemas domésticos, certamente já estariam  agindo para a retomada dos  territórios ocupados na marra. Escudados nas infelizes palavras do presidente americano. Israel é intocável e abandonar os israelenses depois tanto sofrerem com o terrorismo seria imoral.
 
O abandono dos EUA em relação a seus aliados israelenses pode  nos custar, a todos, uma guerra de proporções catastróficas. Pelo material envolvido, certamente nuclear, pela questão do petróleo,  enfim... Um dado dispensável a um mundo em crise e perplexo. Parece que  os críticos do presidente democrata americano tinham razão. Seu despreparo parece evidente.Valeram os aplausos do Congreso americano ao Primeiro Ministro de Israel. Não se pode conviver com tantas crises ao mesmo tempo. E o nosso Brasil não está fora desse contexto.

Os avanços na economia mundial, muitos fruto do crescimento dos  mercados consumidores em função da melhor distribuição da renda, da  tecnologia, do ingresso total das mulheres no mercado de trabalho – e  de consumo –, exigem uma contrapartida  em pesquisa, eficiência, controle  de custos, combate à corrupção e legislação  justa nas relações trabalhistas e tributárias. Não estamos bem nestes itens, temos de admitir.

A corrupção parece que chegou à China e continua dominando a Rússia,  referências muito comuns na imprensa européia. E visível no comércio de alto luxo, agora com vendedoras que falam russo e chinês.

Vamos observar tudo isso com pragmatismo e serenidade. Se possível, ficando longe disso tudo. Mas agindo no sentido de  corrigirmos rumos equivocados. A começar  pelos gastos.

 

 

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